A DIFÍCIL TAREFA DE JULGAR

  • por em 17 de setembro de 2020

Como juiz de direito no interior, em Comarcas desprovidas de Conselho Tutelar e Assistentes Sociais, fazia mutirão de atendimento extrajudicial em regiões de extrema carência, e os casos mais comuns eram de mulheres simples, escolaridade mínima e que me confundindo com um vidente ou um astrólogo, perguntavam se deviam ou não se separar do marido.

Tentando dar um mínimo de proveito àquela audiência informal, desenhava uma balança de dois pratos, aquela em que, de um lado você põe os pesos, de meio, ou um quilo, ou dois, conforme a quantidade pedida, e no outro, vai se colocando a mercadoria, até que haja equilíbrio.

Mostrando o desenho, explicava: neste prato, a senhora coloca todos os defeitos do seu marido, tudo de ruim que ele faz; No outro prato, põe tudo de bom. Qual pesa mais?

Nos casos extremos, a mulher sem qualquer dúvida dizia que só o lado ruim pesava. Não havia nada de bom para colocar no outro prato.  Aí, a sugestão era de que procurasse um advogado. Nos demais casos, quando o prato bom pesava mais ou havia dúvida, o conselho era para que tivesse mais paciência, pois certamente valia a pena tentar.

Com o tempo, fui absorvendo esta prática para “julgar” pessoas e atos, como somos hoje desafiados várias vezes por dia, nos grupos sociais. Quando conheço o “réu”, nunca deixo de usar balança de dois pratos. Na coluna de ontem, ao compreender a decisão de Rafael, se transferindo para o Atlético, fui muito atacado. Mas usei a balança.

Num prato coloquei 15 anos ou mais de presença no Cruzeiro, com dignidade, paciência ante a prolongada reserva, eficiência quando chamado a intervir, como no histórico 6 x 1. Em suma, ficha limpa, sem qualquer arranhão durante tanto tempo. No outro prato, a saída para o Atlético como consequência de um monte de ações desencontradas, equívocos, expectativas não confirmadas, num período de extrema dificuldade para o Cruzeiro. Em suma, se ele errou, não errou sozinho.

Qual prato pesa mais?

BATE PAPO NO QUINTAL

De certo modo, por linhas transversas, o América vingou o Atlético ontem à noite, pela Copa do Brasil. Como se sabe, o Afogados da Ingazeira eliminou o Atlético e, em seguida, foi eliminado pela Ponte Preta, de Campinas.  Ontem, dando o troco pelos mineiros, o América arrancou um empate com a Ponte Preta fora de casa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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