A GENTE NÃO SABIA QUE MACHUCAVA TANTO ASSIM!

  • por em 15 de setembro de 2020

Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C./Flickr

A reação desproporcional dos atleticanos ante o anúncio da possível contratação de Thiago Neves mostrou mais que um “não!”: exibiu ao vivo e em cores um ódio profundo pelas gozeiras que o jogador sempre endereçava ao rival. Embora desde o fim da noite de ontem a desistência oficial já tivesse sido divulgada, centenas de torcedores agiram como se negócio fosse confirmado, passando às pichações e às passeatas. O mesmo aconteceu na manhã de hoje.

O ódio e as ameaças se espalharam nos grupos atleticanos, enquanto “Os Melhores Momentos de TN” eram reproduzidos, revelando um humor inocente, de gozações pelas vitórias do Cruzeiro. Só isto. Sem ofensas morais, das que exigem reparação da honra.

Certa vez, após mais uma vitória do Cruzeiro, perguntado se preferia vestir a camisa do Atlético ou dar um beijo na boca de Ronaldinho Gaúcho, TN ficou com a segunda opção. Lógico, assim como sentimos gozações semelhantes, sabíamos que coisas do tipo machucavam nosso rival. E fazem parte da sedução do futebol. Da paixão que nos leva a dar dinheiro, presença e todos os sacrifícios possíveis para o nosso time, como alguém da família, muito próximo.

A gente, porém, não tinha ideia do quanto isto machucava os atleticanos. Chega ao desespero, o ódio hoje demonstrado contra o ex-jogador do Cruzeiro. Este sentimento, por ser incontrolável, não se alterou nem mesmo ante o anuncio da desistência da contratação. É como se o torcedor tivesse catado no arquivo todas as reservas de raiva e rancor para uso imediato, sem direito de retorno. Tinha de usar. E usou. Nos grupos sociais, na sede administrativa, no portão do CT em Vespasiano e nos tapumes que protegem as obras de terraplenagem no bairro Califórnia.

Quanto ódio! Quanta agonia. E a gente nem imaginava a dor que causava. Vimos agora, nestes últimos 60 dias, quando passamos a sofrer o que os atleticanos sofreram 60 anos.

Dói muito!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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