ARMADO COM O CELULAR VOCÊ É RÁPIDO NO GATILHO?

  • por em 18 de setembro de 2020

(foto: Jair Amaral / EM / D.A Press 17/01/20)

Pelo tema de ontem, sobre a balança de dois pratos, abordando a ida de Rafael para o Atlético, recebi no particular vários comentários de apoio. A todos, pedi que se manifestassem no QUINTAL e, de todos, ouvi que tinham medo da reação contrária.

Em verdade, o celular hoje é uma arma. Grupos sociais são pelotão de fuzilamento, plantão 24 horas, bala na agulha. No fundo, gostamos quando atiram nos corruptos notórios, em restaurantes ou a bordo de aviões. Políticos, empresários, membros do Judiciário, do Executivo, ex-dirigentes de futebol, toda essa gentinha sem caráter que comprovadamente sempre aposta no mal.

O grave é quando fuzilamos inocentes. Há muitos casos, inclusive recentes, em que uma acusação falsa, espalhada rapidamente nas redes sociais, termina em linchamento. Esses são delitos gravíssimos, em que os participantes respondem a processo e são condenados.

No dia-a-dia, porém, delitos menores nos desafiam toda hora e o nosso dedo coça pra acionar o gatilho, dando o nosso tirinho.

A coisa fica mais grave quando já fomos contaminados por um vírus perigoso chamado preconceito. O termo é autoexplicativo.  Pré…conceito. Ou seja, temos já a opinião formada. Certa ou errada, ela está lá, engavetada na nossa cabecinha de gênio e rechaçamos posições contrárias, mesmo que calcadas em lógica irrespondível.

Por exemplo: Você acreditará, se ouvir uma acusação de suborno de juiz, praticada pelo Mano Menezes então treinador do Cruzeiro, com a participação do goleiro Raul, que atuava na partida amistosa?

Óbvio que não.  Porque você sabe que Mano Menezes jamais foi treinador de Raul. 

Ênio Andrade, um excelente técnico gaúcho que escreveu no Cruzeiro uma linda história, jamais treinou o nosso ex-goleiro Vitor.

Numa tarde de folga, regada com um chopinho amigo, boa pra jogar conversa fora, Benecy Queiroz inventa um suborno de juiz, numa impossível partida amistosa em que o goleiro do Cruzeiro era o Vitor, e o treinador Ênio Andrade, os quais nunca trabalharam juntos.

O fato aconteceu na última administração de Gilvan, tratado como uma bomba de hidrogênio, embora fosse um traque.

Nelson Rodrigues dizia que a coisa mais difícil da gente perceber é o óbvio ululante. O pelotão de fuzilamento disparou rápido, antes que o raciocínio prevalecesse sobre o instinto. Armou-se o preconceito.

É este mesmo preconceito que ressurge agora via cartão corporativo.

Quando tive a honra inesperada e jamais sonhada de dirigir o Cruzeiro, naquele tsunami terrível, uma das primeiras medidas tomadas foi acabar com os cartões corporativos. Por absoluta necessidade, ficaram só dois a fim de atendermos aos gastos diários obrigatórios: um com a nossa tesouraria, na sede administrativa, e outro na Toca 2, com Benecy.

Não se consumiu um centavo fraudulentamente.

Tenho certeza que continua assim.

Mas, divulgada a fatura dos cartões, o pelotão fuzila Benecy.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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