CENTENÁRIO RIMARÁ COM CALVÁRIO?

  • por em 3 de janeiro de 2021

A mim, o que mais doeu lendo o que se escreveu ontem sobre o nosso centenário foi o lamento de craques do passado. Gente como Tostão e Dirceu Lopes, que tanto ajudaram, com engenho e arte, construir a imagem de um time campeão, confessando a angústia de ver a que ponto chegamos. Seainda estivessem aqui, outros craques maravilhosos que honraram a camisa estrelada diriam o mesmo. Essa imensa galeria de gênios do futebol que, jogo a jogo, construíram O Melhor Clube Brasileiro do Século 20, se entristece certamente com a realidade de hoje.

Admiráveis, os cruzeirenses que ainda encontram motivação para festejar a data pela qual tanto sonhamos. Sem dúvida, oinvejável passado de glórias autoriza estas comemorações. Afinal, não é todo centenário de clube que pode exibir 2 Libertadores, 2 Supercopas, 4 Brasileiros e 6 Copas do Brasil!

Comoventes as demonstrações de ontem, no Barro Preto, e as reportagens de TV e Rádiorelembrando a história vencedora.

Isto é muito! Merece festa! Comemorando, apesar do gosto de fel na boca, estamos dizendo aos vencedores de ontem(jogadores e dirigentes) que o esforço não foi em vão e que uma chama permanece acesa, a lembrar que a esperança sobrevive.

O passado motiva o nosso presente. Mas e o futuro?

E amanhã, quarto dia deste novo ano de 2021? E na próxima semana? E neste primeiro mês? Estará tudo igual ao que não deu certo? Vamos continuar mantendo ladrões nos porões? Vamos manter a mesma incompetência/inoperância dentro e fora de campo?

Sinal clássico de má administração é repetir erros e pretender resultados diferentes.

Vai ser mais do mesmo?

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Este ​QUINTAL, que sobrevive aos trancos e barrancos exclusivamente pelo brilho e contundência dos comentaristas cruzeirenses e atleticanos, recebeu ontem, de João de Deus Filho e Rei Melo contribuição profunda, dessas que nos convidam a pensar. A questionar conceitos, a um olhar introspectivo.

Como se não bastasse, Geraldo, com excepcional senso de oportunidade, reproduz momento histórico de Renato Russo. Palavras fortes, mas de gritante atualidade. Parece que foram escritas ontem.

Lembraram-me Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.

2. Fazendo coro com Antônio Tonidandel, também José Fernando Saraiva, corajoso, defende o esquema de Felipão, que seria o adotado “por quase todos os clubes”. Mas depois entrega o ouro: este esquema depende de meias que fazem o meio de campo; E reconhece: não temos nenhum jogador com habilidade necessária para esta função.

Meu caro José Fernando: este é exatamente o problema. Quando a partitura de um concerto exige violino e não há violino, você insiste com um baterista prá substituir ou muda a partitura?

3. Em vários grupos cruzeirenses a palavra de ordem é fiscalização. E’ de um deles esta mensagem: como ninguém conseguetampar sol com peneira, neste Novo Ano vamos por logo um fim no blábláblá de arquibancada; Reconstrução não se faz com dubiedades. A Nação Azul está pronta prá torcer de novo e motivar o time, mas precisa de atos inequívocos de organização em campo e limpeza moral fora dele”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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