CLUBE-EMPRESA

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  • por em 10 de março de 2021

André Araújo/Cruzeiro/Flickr

A vida nos dá a oportunidade de conhecer uma ou duas pessoas (três é Megasena!) que a gente gostaria de ter sempre por perto em momentos particulares de extrema dificuldade. São aqueles seres humanos raros, privilegiados, nascidos com dosagens extras de solidariedade, sabedoria, simplicidade e empatia. No seu caso, corajoso leitor, quais você apontaria agora, abrindo a alma pra você mesmo?

Uma dessas pessoas é Sandro Gonzales, pastor evangélico, integrante do grupo Transpress, de onde o pescamos para compor o Conselho Gestor do Cruzeiro. Por sorte da Nação Azul, foi convidado a ficar e hoje encarrega-se dos estudos e contatos visando a possibilidade de implantar o Clube-empresa.

O tema inquieta os cruzeirenses e ninguém melhor que o próprio Sandro Gonzales, eleito um dos três melhores CEOs do Brasil, para nos explicar:

       “O grupo de estudos criado no Cruzeiro em outubro de 2020 destina-se a debater de forma minuciosa o projeto de clube-empresa. Pode permitir ao Clube, no futuro, realizar captações de grandes volumes financeiros, sem que sofra interferência do passivo existente no cenário atual. Com essas captações, o Cruzeiro pode pensar em alternativas robustas que vão assegurar a saúde financeira da instituição.

O que importa não é o modelo societário, mas o modelo de gestão. E esse precisa ser profissional, com estruturas fortes de governança e controles internos que aportem conhecimento e melhores práticas.

É esperada para este mês de março a votação do Projeto de Lei 5516, de autoria do senador mineiro Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, que indica a criação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), uma S.A. específica para a modalidade.

Além da aprovação do projeto de lei, o Clube também espera aprovar o novo Estatuto, que abrirá a possibilidade de constituir-se em sociedade anônima, com o Clube ficando com 51% das ações.

Segundo estudo da EY (Ernest Young) sobre o modelo de negócio, nas últimas duas décadas, o cenário internacional mostra que os clubes-empresas tiveram aumento significativo em suas receitas. Se nos anos 90 esse valor chegava a pouco mais de 600 milhões de euros, hoje varia entre 1.9 e 5.8 bilhões. O estudo aponta que, na primeira divisão das cinco maiores ligas do futebol europeu, 92% dos clubes são empresas, enquanto na segunda divisão esse percentual é de 96%. Com exceção da Inglaterra, os proprietários dos clubes são predominantemente empresários nacionais – 58% com alguma ligação pessoal com o clube ou são empresários da região – enquanto 33% dos clubes constituídos como empresas são controlados por estrangeiros, sendo 44% investidores americanos ou chineses.

Empresa com grande expertise nesta área junto a times de futebol, além de ser big 4 entre as auditorias, a Ernest Young foi contratada para fazer diagnóstico e propor modelos de governança que se adequem ao estatuto do Cruzeiro. O trabalho, iniciado agora, tem prazo estimado em 3 meses para ser concluído. O projeto em estudo para o Cruzeiro ainda não foi aplicado em nenhum outro Clube, é pioneiro no Brasil. ”

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Jorge e Sem Paciência surfando em aparente paradoxo do blogueiro: como podia o Cruzeiro, durante décadas, brilhar em torneios nacionais e internacionais e perder campeonatos mineiros para o Atlético? Questão de prioridades, claro.

2. Clube-empresa – sem a adoção de medidas mínimas de profilaxia moral no Clube, não é preciso ser “Mãe Diná” pra prever grandes dificuldades na imprescindível reforma do Estatuto a fim de possibilitar a implantação do projeto. Não adianta pedir apoio com a mão direita, enquanto a esquerda faz cafuné em bandidos. E se houver casuísmos, como foi tentado absurdamente da última vez, vamos apenas, lamentavelmente, perder tempo e passar raiva no mesmo lugar.

3. Mecão das Gerais provando que cumpriu – e bem – etapas de aperfeiçoamento com os monges do Tibet. Aprendeu o milagre que os atleticanos não conseguem: voar com os pés no chão. Mesmo na situação atual – tudo de bom acontecendo com o América e tudo de ruim conosco – admite o imponderável: podemos vencer o clássico da próxima semana.

4. Tríplice Coroa do Palmeiras sendo festejadíssima: Libertadores, Copa do Brasil e campeonato paulista. Será que agora podemos comemorar a nossa, de 2003, sem acharem que é provincianismo? Sem nos condenarem por incluir nela o título estadual?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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