CRUZEIRO 2 x 1 OPERÁRIO

  • por em 21 de janeiro de 2021

Igor Sales/Cruzeiro/Flickr

Inimaginável, logo no Centenário, final do campeonato da Série B, assistirmos, coração na mão, este jogo contra o Operário com receio de perder e cair em perigo de Série C. Nem em nossos piores pesadelos este quadro era vislumbrado. Mas aconteceu.

Em entrevista enigmática, depois do jogo, Felipão agradeceu o empenho dos jogadores, não deixou claro se fica ou sai do Cruzeiro e, no final, pediu desculpas à torcida reconhecendo que perdemos muitos jogos de uma forma que não poderia ter ocorrido.

Esses jogos, muitos e muitos, foram aqueles em que o Cruzeiro cometia pecados capitais:

1 Passar um tempo inteiro sem dar um chute a gol;

2 Consumir pelo menos um terço de nosso tempo com a bola, trocando passes na intermediária, jogando sempre prá trás;

3 Marcando o primeiro gol, abdicar de fazer o segundo, e recuar inteiro. Quase sempre tomamos o empate. E às vezes, a virada;

4 Desperdiçar, por erro de execução, 90% de escanteios e faltas;

5 Ausência total de jogadas ensaiadas com lançamentos;

6 Atacantes anulando a maioria das tentativas de jogadas ofensivas, por impedimento ou faltas desnecessárias em seus marcadores;

Por falhas assim não conseguimos vencer, em casa, times da zona de rebaixamento, como o Oeste, por exemplo, ontem goleado pelo Náutico por 3 x 0;

O gol da vitória contra o Operário é prova da importância de lançamentos bem feitos, em vez de troca estéril de passes na intermediária;

Como não temos meio de campo prá armar jogadas, o lançamento saiu de um zagueiro – Manoel – que encontrou a categoria de Pottker para matar a bola no peito e chutar no canto, livrando-se do goleiro que saia para abafar.

Porque não fizemos isto antes?

BATE PAPO NO QUINTAL

1 Cresce a motivação pelo TBGTroféu Boa Gente. Desta vez é o Cidadão Comum que, “embora curtindo, com todo respeito”, o nosso inferno astral, torce prá surgir um Plano Real que, assim como salvou o Brasil, venha salvar o Cruzeiro. É o que toda a Nação Azul deseja. Um plano de salvação que surja credenciado por uma limpeza prévia da pirataria.

2 Rei Melo, temos de lutar, sim, contra os que colocaram o Cruzeiro nesta posição inacreditável de, no fim do campeonato, ter de vencer prá não cair prá Série C. Nunca pensamos chegar a este ponto. Lutar, mas usando outras armas. Violência, jamais podemos admitir. Agressões físicas nos mandam de volta à barbárie. À terra sem lei. Apurar, julgar, condenar e punir é com a Polícia e a Justiça. Temos de reprovar, nunca incentivar, o que fizeram terça-feira com o Sérgio Nonato.

3 Wellington, o QUINTAL surgiu prá isto mesmo: congregar forças azuis na recuperação do Cruzeiro. Após a queda para a B, a gente literalmente no chão, aceitei o perigoso desafio de todo dia enviar uma mensagem otimista aos cruzeirenses. Achei que assim poderia pagar um pouco do tanto que devia à Nação Azul pelo apoio decisivo na derrubada da quadrilha. Às vezes tinha de arrancar leite de pedra, mas conseguia destacar um ponto de esperança, nesga de luz numa escuridão terrível. Quando os nossos comandantes passaram a proclamar, cedo demais a meu ver, que a meta era não cair prá Série C, sofri um golpe. O time estava jogando prá não ganhar. Prá não cair. Quando tínhamos obrigação de lutar prá subir. Muita coisa precisa ser reformulada, com coragem. Não apenas reconstrução. Mas um renascer transparente, limpo, sem rabos presos. A batalha é esta.

4 Galo Doido New York mostra, mais uma vez, que ainda não digeriu o título de Melhor Clube Brasileiro do Século 20, outorgado ao Cruzeiro por instituto sediado em Bonn, na Alemanha, e reconhecido pela FIFA. Agora usa um argumento que, surpreendentemente, destoa de sua bagagem cultural tantas vezes pressentida neste QUINTAL. Procurando minar o conceito do IFFHS, argumenta: “O Fluminense não consta do levantamento do Instituto, mesmo tendo 49 pontos pelos critérios utilizados, deixando claro que tal estatística carece de CREDIBILIDADE”.

Meu já admirado Galo Doido: desta vez, você, com pneus carecas, de carteira vencida, em excesso de velocidade, avançou o sinal e atropelou um monte de gente. Veja: O Cruzeiro foi o primeiro, com 295,50 pontos. São Paulo, em segundo, com 242. Palmeiras, em terceiro, com 213.

Em que lugar o Fluminense ficaria, com 49 pontos?

5 Wander Aguiar, a recuperação tem, sim, de passar pelas nossas páginas heroicas e imortais. O passado vai assegurar o futuro, por mais que os atleticanos joguem pedras e pragas.

6 Marcelo adverte, com razão: “Binarismos são perigosos, às vezes obrigam a um melhor esclarecimento. ” Temos batido nesta mesma tecla: não se pode acender vela a Deus e ao diabo. A motivação enfraquece quando mais se precisa dela.

7 Com o apoio de Romulo e Pepeu, Guilherme Henrique me acusa: “Sob seu comando, o Conselho Gestor acertou com 11 reforços entre janeiro e maio de 2020. Sete já deixaram a Toca. Você, como presidente do Conselho, é responsável pelo resultado do final do ano. ” Concordo. Naquelas circunstâncias, tendo de apagar três fogueiras por dia, as contratações se justificavam. Eram riscos que tínhamos de correr. Se houvesse um filme que nos mostrasse o futuro, faríamos diferente. De modo geral, jogador é uma aposta. Veja o caso do Marinho: esteve no Cruzeiro, não vingou. Era banco, no Grêmio, sem perspectivas. Empurrado para o Santos, é hoje o melhor jogador do campeonato. Com técnicos, a mesma coisa. Apostas. Abel Braga no Cruzeiro foi um fracasso, sendo por muitos chamado de ultrapassado. No Internacional, acaba de assumir a liderança com uma goleada de 5 x 1 sobre o São Paulo, completando sete jogos invicto.

8. Cuidem-se! Após o lançamento do TBG – Troféu Boa Gente – foi sugerida ao blogueiro e logo aceita a criação do contraponto: O TMQ – Troféu Mala do Quintal. Já tem gente sendo muito votada

9. Ontem, na jogada questionada pelo Operário, quando o atacante marcou gol de cabeça, mas após cometer falta no defensor, impressionou-me a insensibilidade do comentarista de arbitragem, Paulo Cesar de Oliveira, em cravar logo que o gol teria sido legítimo. A meu ver, como também do comentarista da Rádio Itatiaia, houve sim a falta e o gol não podia valer. No mínimo, a jogada seria duvidosa. O que não podia é o PCO ser tão convicto. O resultado foi que todo o time do Operário, sua diretoria e comissão técnica tentaram agredir o juiz, depois do jogo. Consequência vergonhosa de uma opinião técnica sobre lance polêmico, levada a público de forma irresponsável, porque não deixou margem ao contraditório

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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