DR. LEMOS DR. LEME

  • por em 26 de dezembro de 2020

EM DA PRESS

Há um ano, dias antes do Natal, quando o presidente Wagner Pires e os vices decidiram finalmente renunciar, deixando logo em seguida as salas que ocupavam na sede administrativa da rua Timbiras, eu atendia jornalistas no Conselho Deliberativo quando recebi telefonema do dr. Lemos. Voz embargada, perguntou:

Dalai, você me dá dois dias para retirar minhas coisas e desocupar a sala?

Embora surpreso com a pergunta, consegui responder:

– Meu caro dr. Lemos. Saiba que muitos estão proibidos de entrar no Cruzeiro, mas o senhor está proibido de sair!

Por meses, ainda, ele continuou ocupando a ampla sala no sétimo andar, sendo dono absoluto de seu horário de chegada e de saída. O seu agravado estado de saúde e a pandemia recomendaram o recolhimento em casa e a sala foi finalmente desocupada.

Tomando conhecimento de que, por medida de economia, havíamos decidido vender todos os veículos que atendiam a presidência, procurou-me com um pedido. Queria comprar o veículo Honda que o atendia há anos. Ponderei que não seria aconselhável pois, mesmo que pagasse o dobro do valor, não faltariam os maledicentes de plantão para imaginar e divulgar favorecimento ilícito. Não adiantou. Quis assumir os riscos. Fizemos a avaliação, ele pagou o preço justo, e ficou com o Honda.

Em longo tempo autuando na Secretaria do Conselho Deliberativo, manuseando com frequência livros antigos de atas, passei a notar a marcante atuação dele em todas as decisões importantes para o Clube. Não se omitia nunca. Em 1953, quando os dirigentes estavam decididos a acabar com o futebol profissional no Cruzeiro, dr. Lemos, então um jovem de 24 anos, não apenas discordou como assumiu o leme do barco afastando aquela ameaça e restaurando as condições de governabilidade.

Esse episódio impressionou-me a ponto de, na primeira Assembleia Geral do Conselho Deliberativo que se seguiu, tive a honra e a felicidade de elaborar um vídeo, exibido em telão para os conselheiros, onde o título já dizia tudo:

DR. LEMOS

DR. LEME

No trabalho, além de projetar a coragem do então jovem dirigente, no início da década de 50, foi exibido um resumo resumidíssimo de 70 anos de atuação à frente do Cruzeiro, sempre como um Leme, conduzindo o barco.

As nossas páginas heroicas e imortais devem muito a este homem que nos deixou ontem, aos 91 anos.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Antônio Tonidandel recordou ontem, neste QUINTAL, a maracutaia que foi a venda por duas vezes do estádio de Lourdes. Aproveitando que o governador Hélio Garcia era atleticano, entraram com uma ação de retrocessão (usada quando o expropriante não cumpre o objetivo da desapropriação, o que não era o caso). O Estado não se defendeu como deveria e o terreno voltou às mãos do Atlético, que o vendeu de novo. Um absurdo!

A quem ainda não sabe: O Cruzeiro, ao contrário do América e do Atlético, não vendeu o imóvel que lhe foi doado no Barro Preto.

2 Alex Souza dá excelentes ideias sobre o programa do sócio torcedor. Aponta com total razão irregularidades que vinham ocorrendo. Como se sabe, apenas em 2019 foi apurado um rombo de 9 milhões de reais em ingressos de cortesia.

Alex, faça mais um sacrifício pelo Cruzeiro: formalize este planejamento e envie para a direção do Clube. Você estará fazendo a sua parte. E espera-se que os responsáveis façam a parte deles.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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