FELIPE EXPLICA FELIPE

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  • por em 26 de março de 2021

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Ontem, no Concierge Sócio Diamante, quem participou do Diamante Talks foi o nosso técnico Felipe Conceição. Apesar das limitações do sistema que não permite perguntas verbais, valeu a iniciativa pela transparência e confiança demonstradas pelo treinador.

Por menos que haja resultados sentidos pela torcida, Felipe Conceição acredita no que está fazendo.

Lembra os caminhos que já trilhou, enfrentando desafios semelhantes com América, Bragantino e Guarani, conseguindo após dolorosa adaptação, implantar um positivo sistema de jogo.

O adjetivo doloroso foi utilizado por ele várias vezes para explicar a transição de sistema de jogo que quer implantar no Cruzeiro, saindo da “retranca” com tentativa de um contra-ataque que resulte em gol, para o avanço das linhas e a disputa de bolas no terço final do ataque. Antes o time jogava por uma bola, hoje ataca no último terço do campo 52 vezes em média, por partida.

A adaptação não é fácil nem rápida. Tem de ser assimilada pelo jogador a fim de ser executada automaticamente durante o jogo. Vamos chegar lá, sem qualquer dúvida.

Mostramos vídeos dos jogos, como do primeiro tempo contra o América, e os próprios jogadores já identificam os erros de posicionamento, de condução da bola ou de passes.

A hora de experiências é agora, não em plena disputa da Série B. Hoje já tenho consciência sobre quais atletas devem entrar jogando e em qual setor do campo.

Por várias vezes, Felipe Conceição referiu-se ao primeiro tempo do jogo contra o América como um “case” do erro. Tivemos ali a lição que deveríamos ter. E aprendemos.

Faltava explicar a opção por Alan Ruschel como armador, deixando no banco Sobis, Pottker, Marcinho e Claudinho. Com essa formação, recorde-se, passamos todo o primeiro tempo sem dar um chute a gol. Por incrível que pareça, o time voltou o mesmo, para o segundo tempo, e jogou mais 9 minutos, quando então foram feitas as primeiras três modificações.

Felipe explica:

Alan Ruschel já havia jogado como armador, na Chapecoense, saindo-se muito bem. Durante a semana livre, que antecedeu o jogo contra o América, testado nos treinos, garantiu a escalação no meio de campo. Na partida, porém, nada deu certo.

A demora na substituição foi uma tentativa, iniciada no intervalo, de recuperar para o segundo tempo o entrosamento conseguido nos treinos. Os primeiros minutos revelaram que não seria possível. E houve as mudanças.

Felipe, este QUINTAL, que antes de sua chegada já queria ver você no Cruzeiro, permite-se a ousadia de pedir treinamentos especiais para:

1. Nas tentativas de desarme, a falta não ser a primeira opção, como acontece absurdamente no Cruzeiro; Gamarra e Luizinho eram dois zagueiros que se notabilizaram pela eficiência do desarme sem faltas. A comparação é impossível, mas os dois servem como ponto de referência.

2. Chutes a curta e média distância sempre com perigo de gol, jamais “recuando” bola para o goleiro ou acertando os refletores como vimos fazendo.

3. Escanteios e faltas cobrados de forma a revelar que houve ensaios e eles foram bem assimilados. Essas cobranças são um ótimo termômetro. Quando não há cuidado nesse sentido, zagueiros sobem para a área contrária num escanteio e ele é batido rasteiro, no pé do adversário. Isto revela falta de comando técnico. Desânimo geral em campo e na torcida.

4. Entrosamento com, no mínimo, troca de três passes de ataque no último terço do campo, sem recuo de bola. Categoria também se aprimora com treinamento.

5. Finalmente, uma atenção especial nos cabeceios. Chega a irritar a frequência com que matamos jogada atrasando infantilmente a bola para o goleiro adversário. Quando claramente inoperante a tentativa de gol, a opção do passe para um companheiro melhor colocado dá sempre mais resultado.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. peppeu sugere pauta no mínimo explosiva para este QUINTAL. Não vamos fugir dela, mas não me parece o momento adequado. Estamos fazendo transplante de coração. Vai chegar o momento de unha encravada.

2. Sem Paciência passando-se por perito em giros de roda. Cuidado com ilusão de ótica. Já viu no cinema pneus que parecem girar pra trás enquanto o carro vai em frente? Você acha mesmo que o Cruzeiro ficará 50 anos fora do páreo? E o nosso DNA de gigante? Daqui a pouco a roda alvinegra dará impressão de que continua pra frente mas, em verdade, vai pra trás. Estará se cumprindo o destino!

3. João de Deus Filho, solitária ilha de racionalidade no mundo surreal atleticano, homenageia Pablito, “um cara do bem, do tipo de torcedor que todo clube precisa”. Era isto mesmo, João. E está fazendo uma falta imensa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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