FILME TRISTE, DE TERROR

  • por em 17 de janeiro de 2021

Vinnicius Silva/Cruzeiro/Flickr

 

Apesar da garra demonstrada pelos jogadores, o que é louvável nas circunstâncias, o Cruzeiro foi ontem, contra o Juventude, o que foi em quase todos os demais jogos. O gramado pesado, em razão de chuvas recentes, dificultou os passes. Mas os erros dolorosos de cruzamentos e de escanteios revelam uma face do mesmo time que perdeu para o Oeste, no Independência. 6 pontos, só nesta semana. 30 em casa.

Mesmo melhor do que o Juventude o tempo todo, a má sorte sempre esteve contra nós. Um dos nossos jogadores mais regulares, Mateus Pereira, fez a sua pior partida, inclusive cometendo pênalti infantil, nem voltou para o segundo tempo. Na sua substituição, Felipão passa a dever explicações para a Nação Azul: ao invés da tradicional e apavorante entrada de Patric Brey, entra Rafael Luiz (embora lateral direito, foi para a esquerda). Onde estava ele, nos outros jogos? Quem sabe, com ele, alguma coisa mudaria para melhor?

70% de posse de bola resultaram em duas ou três jogadas que beiraram o gol, inclusive com bola na trave. E só. O resto foi mais do mesmo. Um time mais próximo de ajuntamento de condomínio em fim de semana. Nas raras vezes de escanteio bem batido, com a bola na altura certa, dois ou três jogadores nossos livres na pequena área, “conseguimos” não marcar.

Há consenso de que falta categoria nos jogadores, isto é mais difícil e demorado de consertar. Mas jogadas ensaiadas, pelo menos de escanteios e cruzamentos nós, pobres mortais, achamos que é obrigatório aparecer nas partidas. Não aparecem. Do jeito estabanado que são batidos, em 80% dos casos, a conclusão é trágica: ou não há treinamento ou eles são improdutivos.

As partidas passadas mostravam isto reiteradamente, com uma agravante não repetida ontem: o esquema prá trás, a infindável troca de passes na nossa intermediária, a vontade de “não ganhar”…

Mais de dez jogos perdemos assim. Não querendo ganhar.

Lamentável o que fizemos e estamos fazendo com o Cruzeiro. E no Centenário.

BATE PAPO NO QUINTAL

1 Pai de um garoto de 15 anos, ex atleta do Cruzeiro, hoje no Santos, Rogério Abreu de Araújo dá excelente contribuição para a reformulação de nossas divisões de base. A metáfora do funil invertido é eloquente para apontar a funda diferença de esquema dos dois Clubes. Poucos times brasileiros usam tanto e lucram tanto com a base, como o Santos. No plantel atual, 6 ou 7 estão jogando e dando conta do recado. No Cruzeiro, apenas 2, Adriano e Mateus Pereira.

2 Francisco Aloisio Miranda atende o nosso chamado e quer ajudar. Outros também se sensibilizaram. Vamos torcer para que os comandantes do Cruzeiro aceitem a ajuda.

3 Galo Doido New York não digere a outorga do título de “Melhor Clube Brasileiro do Século 20” ao Cruzeiro, pelo IFFHS. Apresenta agora a lista da FIFA, liderada por Real Madrid, Manchester United, Bayer e Barcelona. Em 5º vem o Santos, em 9º o Flamengo e em 12º o Botafogo. E daí? A pesquisa do Instituto de História e Estatística do Futebol, sediado em Bonn, na Alemanha, reconhecido pela FIFA, traçou outros critérios e esclarece quais sãos. Esse título foi outorgado ao Cruzeiro. E a gente sabe quem outorgou.

Mas, meu caro Galo Doido, e esse negócio de “Campeão do Gelo” que entrou até no hino do Clube.

Quem outorgou o título ao Atlético?

4 Pereira tripudia sobre a situação do Cruzeiro, prevendo dias piores ainda. Sabemos disso e contamos com a ajuda de vocês para suportarmos esta fase. Felizmente, o Atlético nunca nos decepciona.

5 Alex Souza questiona a posição do Conselho Deliberativo do Cruzeiro que deveria ser mais atuante, impedindo desmandos. Alex, óbvio que em boa parte a escolha de conselheiros é política e malfeita. Mas o maior problema é o sistema presidencialista que confere poderes praticamente ilimitados ao senhor de plantão, sem que o Conselho sequer tome conhecimento antecipado. Por isto advogamos uma reforma de Estatuto ampla, debatida com prudência, acolhendo sugestões de todos os setores para exame isento. Tudo sem a pressa que foi imposta na última tentativa. Sem os privilégios que pretendiam.

6 Antônio Tonidandel observa que “qualquer adversário fica à vontade contra o Cruzeiro”. É verdade. Somos um amontoado, sem esquema de jogo. Ironicamente, só o auxiliar de Felipão, Paulo Turra, recebendo cerca de cem mil reais por mês, ganha mais que treinadores de times do G-4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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