LOBOTOMIA?

  • por em 21 de setembro de 2020

Como se sabe, a lobotomia é uma operação no cérebro que corta fibras nervosas e transforma o louco incontrolável em cordeirinho manso, aplicada, como último recurso, em doentes mentais incuráveis.

A figura do gigante abobado não sai da minha cabeça desde esse triste sábado em Maceió, principalmente por causa de dois momentos do jogo: a forma absurda como tomamos o primeiro gol, aos 12 minutos, que foi também o primeiro ataque do CSA. Uma antiga e manjadíssima jogada de escanteio, com a bola no primeiro pau, para ser casquinhada, desarticulando a defesa, enquanto outro jogador adversário, já treinado obviamente, entra cabeceando.

Mais velha do que andar pra frente, esta jogada é como um singelo conto do vigário, tipo bilhete premiado, achadinha de anel na rua, que envergonha quem ainda cai no esquema. No futebol, na hora dos escanteios, o bê-a-bá da defesa é colocar alguém na frente de todos para impedir o desvio da bola. Todo mundo sabe e faz isto. Nós não.

Fiquei com esta imagem “passeando” na minha cabeça e a cada visão a mensagem era diferente: desorganização tática, administrativa, psicológica, um conjunto de ações que torna o Cruzeiro, hoje, uma mercadoria desmoralizada, infelizmente.

Mas após o nosso gol, aos 21 minutos do segundo tempo, a figura do gigante abobado virou realidade assustadora.

Nestes cem anos de existência, com pouquíssimas exceções, o Cruzeiro jogando contra o CSA em Maceió, perdendo por 2 x 0 e fazendo 2 x 1 na metade do segundo tempo, iria partir pra cima e virar o jogo.  Sem qualquer dúvida. O adversário, sabendo a força, a garra e a classe da camisa azul, iria recuar todo, amontoando-se na grande área, passando a dar chutões, fazer cera e reclamar do juiz. Isto é o normal de acontecer, naquelas circunstâncias, com o Cruzeiro ou qualquer outro grande clube.  Seria meia hora de inferno na área deles.

Aconteceu o contrário. Com um jogador a menos, eles é que partiram pra cima. Fizeram o terceiro gol e quase fazem o quarto.

Ninguém respeita gigante abobalhado. Fizeram lobotomia na gente e está difícil percebermos. Não adianta jogarmos pra arquibancada porque tudo se resolve é na realidade. A natimorta proposta de venda de imóvel é exemplo disto.

Wagner e quadrilha foram responsáveis pelas horrorosas ações administrativas do Cruzeiro até dezembro de 2019. Pelo desastre que promoveram vamos pagar caro neste e nos próximos anos.  Mas a forma como conduzir a reconstrução passou a ser responsabilizada minha e do Conselho Gestor, de janeiro a 2 de junho. Os incêndios do Pantanal são boa metáfora para simbolizar o que enfrentamos naquele período. Extinguimos cerca de 150 cargos na sede administrativa; vendemos todos os carros do Clube, só deixando um para representação; excluímos conselheiros remunerados; suspendemos cartões corporativos, deixando dois absolutamente necessários; acabamos com a infinidade de salários de marajá.

Na política, fizemos tudo que foi possível e um pouco do impossível para promover a pacificação interna, unindo as correntes ficha-limpa, afastando os “fisiológicos”. A meta principal era colocarmos um fim nesta desgraça do “nós e eles”, que divide o Clube, como se alguém pudesse ser mais cruzeirense do que o outro.

É triste, mas está voltando tudo ao que era.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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