MAIOR DE MINAS

  • por em 1 de setembro de 2020

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

No curto período em que presidi o Cruzeiro, entre tanto incêndio pra apagar ou reduzir as chamas, duas metas envolvendo os atleticanos sempre estiveram no meu radar: a primeira, com base no princípio de que somos adversários, não inimigos, visou o entendimento na véspera dos clássicos. O mandante sempre criava caso com ingressos para a torcida contrária, impondo pagamento à vista.  Prejuízo na certa, com a costumeira sobra de ingressos não vendidos. Num almoço que tivemos com o presidente Sette Câmara (sigiloso, óbvio, pra não sermos massacrados pelas torcidas), estabelecemos a solução justa, correta: ingressos entregues sob consignação. O visitante só paga o que foi vendido, devolvendo sem ônus o que sobrou.

O outro tema se refere às torcidas organizadas. Procurando retribuir o tanto que o Cruzeiro passou a dever a elas pela “deposição” da administração passada, abri para os lideres as portas do Clube, com sucessivas reuniões, para ouvirmos as reivindicações básicas, comuns à maioria, mas também para expor o nosso apelo: que se organizassem, ficha cadastral de todos os integrantes, com cópia para o Clube e para o Ministério Público.

E o pedido principal: instalação de uma Comissão Disciplinar Interna: o membro cometeu falta grave, apuração sumária e advertência formal. Na reincidência, exclusão. Não tenho dúvidas de que as Torcidas Organizadas, que tanto e decisivo apoio dão ao Clube, poderiam angariar muito mais recursos passando a provar que, realmente, estão organizadas. Esta ideia não morreu. Tem apoio de mais de 90 % dos filiados. Contra, só os vândalos. Apesar de não chegarem a 10 %, são eles que formam a imagem queimada da Torcida.

Estabelecidas estas premissas, chega-se à conclusão: podemos conviver, sim, com o adversário. Ele não é nosso inimigo. Não podemos nem devemos agredir só por que veste a camisa do rival.

Tenho um filho atleticano. Estudou em Cambridge e Lisboa. Autor de livros jurídicos. Ninguém é perfeito. Por uns tempos, paguei psiquiatra pra ele. Não adiantou. Em todo ambiente possível, nossas duas camisas rivais convivem, felizes.

Para este sonho de harmonia, ou pelo menos de tolerância se materializar, é preciso estabelecermos as chamadas questões incontroversas, sobre as quais ficarão proibidas discussões, pois serão absolutamente inúteis:

1º. O Atlético é, até hoje, o maior campeão estadual 

2º. O Atlético é o primeiro campeão brasileiro

3º. O Atlético já foi campeão da Copa do Brasil e da Libertadores 

4º. O Cruzeiro é tetracampeão brasileiro

5º. O Cruzeiro é hexacampeão da Copa do Brasil

6º. O Cruzeiro é bicampeão da Libertadores

7º. O Cruzeiro é bicampeão da Supercopa

8º. O Cruzeiro foi apontado por Instituto de Pesquisa e História do Futebol, sediado em Bohn, na Alemanha, reconhecido pela FIFA, como O MELHOR CLUBE BRASILEIRO DO SÉCULO 20. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments