MAIS DO QUE TRÊS PONTOS!

  • por em 12 de setembro de 2020

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Finalmente, um gostinho de tempero no time.

Tabelas no último terço do campo e um quase-gol por duas vezes nos mostraram que pode estar surgindo um Novo Cruzeiro: combativo, jogadas agudas, ensaiadas, que em três toques chegavam à meta do Vitória.

A Nação Azul, ainda aplaudindo Ney Franco e sua equipe técnica, manda um recado ao treinador: nesta semana livre antes de encararmos o CSA, em Maceió, vamos treinar escanteios e faltas a curta e média distâncias? É impressionante como desperdiçamos possibilidades. O escanteio, que às vezes ocorre 10 vezes ou mais numa partida, é a jogada que mais permite variações, por uma razão muito simples: a bola está sempre colocada no mesmo lugar. Só muda o lado. As opções a serem treinadas são muitas, mas entre elas não deve estar jamais mandar a bola sempre nas mãos do goleiro ou na cabeça de um defensor.  Como fica o ânimo de nossos zagueiros que, às vezes já cansadíssimos, atravessam o campo esperando uma jogada mortal e retornam frustrados, cinco, seis, dez vezes?

Isto mata o torcedor, também. A gente precisando de ganhar de qualquer jeito e jogadas bisonhas se repetindo em campo.

Em sua entrevista ontem, no pós-jogo, Ney Franco disse ter identificado na equipe um problema crônico: a ansiedade. É a tal bola queimando os pés dos jogadores, pela tremenda responsabilidade que é vestir o manto sagrado numa situação destas. Como já foi observado, o gol de empate do CRB é o exemplo mais recente e doloroso do Cruzeiro hoje. 

Culpa de quem? De muita gente, inclusive minha, não no período da presidência e sim como vice-presidente do Conselho Deliberativo na administração Wagner. Talvez, com coragem, eu pudesse ter rompido a tradição de que vice é apenas um vaso decorativo na sala.

Mas jamais podemos culpar aqueles homens que estão em campo. Eles são apenas o reflexo do que fizemos nestes últimos anos com o Melhor Clube Brasileiro do Século 20. Há muito a corrigir, dentro e fora de campo.

Ney Franco e auxiliares, que estão dormindo na Toca 2, terão esta semana inteira para estudarem as peças que temos e montarem uma equipe diferente na produtividade, daquela que vinha jogando as últimas partidas. Com apenas dois treinos, gostamos do que vimos ontem. Temos certeza de que vamos aplaudir – e muito – nos próximos jogos.!

BATE PAPO NO QUINTAL

Há quanto tempo não dormíamos tão bem após um jogo do Cruzeiro?

Aquele sono bom de quarta-feira, quando vestimos a camisa do mistão do Santos não conta porque faz parte do plano B, que os atleticanos nos ensinaram nesses últimos 60 anos: se o seu time não te dá alegria, passe a vibrar com a desgraça do rival.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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