MUDANÇA DE CEP É O MAIS FÁCIL!

  • por em 8 de fevereiro de 2021

Alexandre Guzanshe / EM DA PRESS

A partir de hoje o Cruzeiro tem novo endereço em BH. A administração passa da Timbiras para o edifício do Shopping Boulevard, na avenida dos Andradas. A Mesa do Conselho Deliberativo vai se acomodar no Parque Social do Barro Preto.

Revolucionárias mudanças físicas que têm tudo pra dar certo, se forem acompanhadas também por um Novo Cruzeiro, expurgado de mazelas, de bandidagem oculta e, principalmente, das duas velas acesas…

Trocar o CEP é o mais fácil. Basta acertar a locação de novo endereço e contratar empresas especializadas em mudanças. Com técnica elogiável eles desmontam e empacotam tudo, transportando para a casa nova, onde remontam o mobiliário.

Difícil é a mudança interior para que tudo não continue a mesma coisa que além de atrasar a nossa saída do buraco, às vezes nos afunda ainda mais.

Na próxima segunda feira, um treinador novo, que já mostrou potencial, receberá os jogadores após esse mini recesso e vai dar com eles o primeiro passo rumo à esperada ressureição. A ideia é formar um time cascudo de Série B, coordenado em suas linhas, jogando pra frente. Coração na boca e alma na chuteira. O oposto daquela pasmaceira irritante que a gente assistia trocando passes pra trás e entregando pontos em nossa casa.

Infelizmente, não há recursos para formar o time ideal. Temos de nos conformar com o time possível, sem medalhões, mas com jogadores que sintam honra em vestir o manto azul de tantas e imortais glórias, e mostrem isto em campo, em todas as jogadas e em todos os jogos.

Mas este novo Time, assim com maiúscula, precisa de oxigênio fora de campo para sobreviver e continuar lutando cada vez mais e melhor. Isto é alcançado com transparência, atos firmes, metas definidas, apoio integral ao novo comandante técnico Felipe Conceição.

Não é alcançado com “panelinhas”, nem   com “assessor de minha confiança pessoal” implantado na direção técnica. A Nação Azul tanto torce pra dar certo, quanto está de olho aberto acompanhando tudo.

Vamos mostrar, à luz do sol de meio dia, que aprendemos?

Que não vamos errar de novo?

BATE PAPO NO QUINTAL

1. João de Deus Filho, depois de um sonho em que “viu” um estranho “Almanaque do Cruzeiro, acorda para a real e nos brinda com um texto franco, irretocável, que merece transcrição e meditação:

“Hoje, pensando com calma, sinto que nós atleticanos, precisamos do Cruzeiro. A rivalidade move os corações e deve ser saudável. Durante muitos anos fomos zombados pelos torcedores rivais. Então, chegou a nossa hora de dar o troco…”

É isto mesmo, João de Deus. Durante meio século, com poucas exceções, praticamos bullying com vocês, hoje me arrependo porque estou sentindo na pele que dói muito. E olha que este troco começou há pouco tempo. Seria impossível atravessar este deserto, sem os oásis ocasionais: Afogados da Ingazeira, Botafogo, Goiás… Mas, gozações de lado, precisamos um do outro. É uma simbiose. Escrevi uma coluna sobre isto. Sempre lembro aqui, por analogia, pesquisa feita nos Estados Unidos: Você prefere ganhar na loteria ou ver a casa de seu vizinho, melhor que a sua, pegar fogo? Ganhou o incêndio.

2. Bernard Assis pergunta sobre a Minas Arena. Em meu curto período à frente do Cruzeiro coloquei, juntamente com o Conselho Gestor, o caso Minas Arena entre nossas prioridades. Retomamos os contatos, interrompidos há mais de ano, e com a boa vontade de todas as partes, facilitado pela existência de dez milhões de reais (sem correções), destinados à Minas Arena, bloqueados em Juízo, estivemos com o Governador Zema visando um amplo e geral acordo. Os entraves contratuais com o Estado penalizam tanto a Minas Arena quanto o Cruzeiro. Mas a pandemia chegou, travou tudo, menos os boletos mensais. As despesas fixas do Mineirão inviabilizam, no momento, a presença do Cruzeiro. O tratamento excepcional dado ao Atlético, na disputa da Libertadores, oferece, sim, ao Cruzeiro, argumentos para diminuir os seus custos quando voltarmos à nossa Casa. Parece óbvio que, estando América e Atlético com estádios próprios, o Cruzeiro vai precisar tanto do Mineirão quanto o Mineirão dele.

3. Jamicel nos brinda com oportuno enfoque da Força e da Violência. Elas “podem ter o mesmo instrumento de execução, mas o que difere um conceito do outro é a legalidade, a necessidade, a proporcionalidade e afins”. Chega, então, à mágoa atleticana em querer comparar o incomparável. Impossível, mesmo queimando 200 milhões de reais na formação de um time que só ganhou o campeonato mineiro. Em homenagem ao meu filho atleticano, gostaria de dar um conselho: façam suas merecidas zoeiras com o Cruzeiro, mas só pelo que estamos passando agora: o doloroso bi da Série B e o Atlético, na Série A, “seguindo o líder”, felizmente num cavalo paraguaio. Fiquem só com isto, que não é pouco e já dói muito. Não queiram mexer no passado de meio século: aí é Mike Tyson contra recém-nascido.

4. Jorge, também temos um ponto em comum: “bola quicando na pequena área…” Tal como você, não resisto e chuto de cara. Depois vejo as vidraças quebradas…

Desculpe-me, mas neste último comentário você escorregou na maionese por duas vezes: Primeiro, ao citar como real e sério um “Almanaque do Cruzeiro” que, até agora, só você e João de Deus Filho conhecem. Segundo, e mais grave: Do nada, sem necessidade, nesta altura do campeonato, você ressuscita o desastre com a Raja Casablanca! Mexa nisto não. Ontem, em vários programas esportivos sobre o adversário do Palmeiras, os comentaristas já observavam que o Tigres “não é um Mazembe, nem um Raja Casablanca que fizeram Internacional e Atlético darem aquele vexame…”

Lembre-se que ainda há um projeto na Câmara Municipal de BH mudando o nome da avenida Barão Homem de Melo pra Atlético Mineiro, porque ela morre na Raja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments