O CASTIGO DO SILÊNCIO

  • por em 14 de setembro de 2020

André Araújo/Cruzeiro/Flickr

Saiu a tabela da Libertadores?

O Cruzeiro vai priorizar a Copa do Brasil?

E a altitude? Melhor chegar na véspera ou três dias antes, pra ir se acostumando?

Há meio século a gente convivia com estes doces dilemas de time grande no Brasil e nas Américas, às voltas com o G-4 no Brasileiro e as demais disputas.

Lutamos muito. Sofremos muito, mas compensou. Guerreiros em campo, sempre com o apoio da maravilhosa Nação Azul, nos deram o nosso maior orgulho, difícil de ser alcançado por qualquer Clube fora do privilegiado eixo Rio-São Paulo:

2 LIBERTADORES

2 SUPERCOPAS

4 BRASILEIROS

6 COPAS DO BRASIL

Este cartel vem matando de inveja muita gente conhecida e tornou-se responsável pelo espantoso crescimento da Nação Azul, hoje alcançando 70% do interior de Minas, com “consulados” em outros Estados e em várias regiões do mundo.

Lamentavelmente, esta potência internacional está hoje nocauteada por calamidade administrativa, alijada da Série A, da Libertadores e da Copa do Brasil.

Este fim de semana que passamos, sábado e domingo sem Cruzeiro em campo e fora das demais disputas, foi mais um castigo doloroso. Muito triste assistir clássicos que não são os nossos e, pior, ouvir notícias de sorteios da Libertadores e quartas de finais da Copa do Brasil sem a participação do Cruzeiro.

Como é que pode estar acontecendo tudo isto? Será que fora dos 9 milhões da Nação Azul ninguém sente falta do Cruzeiro? La Bestia?

A máquina estrelada de ganhar troféus está hoje beirando a zona de rebaixamento da Série B. Foi lá que os saqueadores do nosso Cruzeiro nos deixaram, enquanto limpavam a carga do caminhão tombado, como fazem bandidos transvestidos de cidadãos, ante a oportunidade de “passar a mão” no alheio.

Há pouco tempo aconteceu isto com um caminhão que transportava carne. Quartos de boi espalhados à margem da rodovia foram saqueados pela população ribeirinha. Mas veículos transitando pelo local também paravam e seus ocupantes corriam para disputar a carga, antes que a Polícia chegasse.

Vendo a cena na TV, impossível não associá-la figurativamente ao que aconteceu conosco. Lembrei-me dos contratos absurdos, onde o propósito era lesar o Cruzeiro; dos conselheiros remunerados regiamente sem qualquer contraprestação de serviços; dos quarenta e tantos cargos assalariados na Campestre da Pampulha; dos 9 milhões de reais em ingressos de cortesia, consumidos em 2019; da farra dos PJ. Enfim, um saque geral, sem limite e sem escrúpulos. Até que a Polícia chegou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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