O CRUZEIRO PRECISA DE VOCÊ – II

  • por em 15 de janeiro de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

O jogo contra o Oeste foi o retrato de nosso pior momento, em preto e branco, sem retoques. Imagem horrível.

Uma rara combinação de resultados da rodada havia aberto inesperada chance de retorno à Série A. Mas o Cruzeiro tinha de fazer a sua parte, jogando contra o último colocado. Em 36 jogos o Oeste só havia vencido 4. Levou 54 gols, nenhum feito pelo Cruzeiro. Nas duas partidas, empate de 0 x 0 em Barueri, vitória em BH, bloqueando da gente 5 pontos.

Faltam adjetivos para qualificar o jogo, o time, a direção e a situação do Clube. Uma sucessão de apostas que poderiam ter dado certo e não deram. Erros dolorosos desta administração e das passadas.

Jogar pedras, distribuir pauladas, apontar culpados é o fácil.

Difícil é apontar caminhos. Oferecer ao debate planos de recuperação econômica, como procuramos fazer na coluna anterior, com surpreendente repercussão. Cruzeirenses, como Roberto Bittar, Sérgio Ferreira, Wagner Oliveirah, Alex Alves e Marcello Viana após objetiva análise da situação apresentam sugestões que merecem ser examinadas.

Neste momento de barco afundando, cabeça fria é uma peça. A sabedoria popular já ensina que casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão. Crucificar culpados alivia a raiva, mas não nos livra do atoleiro. Vamos pensar bem, discutir melhor antes de decisões que vão mexer com a torcida. Nossa cota de erros e apostas frustrantes já esgotou. Mais uma temporada de mancadas homéricas e realmente vamos nos desmanchar como Clube de primeira linha.

Recebemos sugestões criativas para a recuperação econômica mas continuo pensando que o mais urgente, viável e sustentável seria o reexame dos dois projetos já feitos para a transformação do parque do Barro Preto num grande centro comercial, com dois andares subterrâneos para estacionamento; no térreo e acima, lojas, restaurantes, serviços. No andar superior, manutenção da área de lazer dos associados. Por 20 ou 30 anos, o grupo empresarial terá o direito de exploração do imóvel, que retornará, após, ao domínio do Cruzeiro. Com o valor a ser adiantado por este grupo de empresários as dívidas mais urgentes seriam quitadas, assegurando-se por meses as folhas salariais, dando-se assim fôlego ao Clube para respirar, reorganizar-se e reagir.

Muito se fala que os imóveis do Cruzeiro não estão regularizados. É verdade, mas nada que impeça o contrato. As questões a serem resolvidas são todas de ordem formal. Não há qualquer embaraço quanto a posse mansa e pacífica, bem como quanto ao domínio. Ou seja, ninguém alega ou pode alegar que os imóveis não sejam do Cruzeiro ou que não estejam em sua posse.

Sinal verde, assim, para a formação de um GHIGrupo Histórico de Investidores – que salvará o Centenário.

BATE PAPO NO QUINTAL

1 Graças ao brilho intelectual e ideológico dos comentários, a coluna anterior bateu recordes significativos. O tema, como é óbvio, contribuiu. A queda contínua do Cruzeiro arranca lamentos da China Azul e promove incansável baile funk no galinheiro. Gostaria até de fazer uma pesquisa entre os atleticanos, embora já saiba o resultado:

Se pudesse escolher, você iria preferir vencer o Raja, naquela disputa de pré-final do mundial ou ver o Cruzeiro continuar na Série B?

2 Galo Doido New York volta ao título outorgado ao Cruzeiro, de Melhor Clube Brasileiro do Século 20. Para desacreditar o prêmio, lembra que o mesmo Instituto concedeu ao Atlético um terceiro lugar mundial, etc.

Esclareça-se que o Cruzeiro não encomendou este título. O IFFHS, sediado na Alemanha e reconhecido pela FIFA, estabeleceu critérios, divulgou, pesquisou e apresentou os resultados. Anualmente faz a pesquisa. Numa delas, o Atlético ficou muito bem situado. Ou seja, naquele ano, foi um dos melhores.

O Cruzeiro não foi o melhor brasileiro de um ano.

Foi do século!

Reclamações para a FIFA e o IFFHS, em Bonn, na Alemanha.

3. No pré-jogo de Cruzeiro x Oeste, em vários grupos explodia o entusiasmo com os “resultados favoráveis” ao Cruzeiro. “Só depende da gente…” Angustiante esse renovar de esperanças já mortas pelos próprios comandantes. Pensei em interagir recomendando prudência. Calma, gente. O time não está jogando prá ganhar. Não somos capazes de fazer um lançamento de 10 metros. Na coluna anterior deste QUINTAL, não dediquei mais do que cinco linhas ao jogo, lembrando que era como se tivéssemos agua morna na boca. Antevi o vexame. Quando Patric Brey entrou, tive ímpetos de ir prá Venezuela tomar Cloroquina vencida. 5 minutos em campo ele tabelou duas vezes com adversários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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