O GOSTO HORRÍVEL DE CABO DE GUARDA CHUVA!

  • por em 22 de novembro de 2020

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Nos desalinhados corações cruzeirenses, os dez dias de treinos para o jogo de sexta, contra o Figueirense, foram sementes de esperança que se desenvolveram mais rápido do que devia ser. E um ataque com Regis, Rafael Sobis e Airton, tendo tempo razoável de treinamento, nos vendeu a garantia de um futebol agudo e vitória por 3 ou 4 gols de vantagem. O adversário não vencia há 4 jogos, perdeu o técnico e estreava 6 novos jogadores que mal se conheciam. Uma sopa. 

Com 11 minutos de jogo tomamos um gol e emocionalmente foram ao chão milhões de esperanças germinadas naqueles dez dias. O time se desarticulou errando passes, queimando ataques com faltas nos marcadores.

Os escanteios a nosso favor, sempre esperdiçados nos últimos 20 ou 30 jogos, voltaram a ser cobrados de forma burocrática, inútil, com a emoção do funcionário que bate carimbo num atestado de vacina.

O gol do Figueirense surgiu de escanteio mal batido por nós, sendo rapidamente armado um contra-ataque.

E aconteceu o inimaginável: o primeiro tempo inteiro foi de domínio do visitante, ganhando sempre as segundas bolas. Ficamos perdidos em nossa casa, com aquele gosto horrível de guarda-chuva molhado na boca. Um coquetel de esperanças desfeitas, decepções, amarguras, incertezas, raiva. Não é de hoje que o nosso pão cai com o lado da manteiga para baixo.

Pertencendo a vários grupos sociais, estou como uma espécie de tradutor de sentimentos, revelando o que a maioria deles passa neste fim de semana. Alguns, revoltados, ameaçaram abandonar o barco, riscando o Cruzeiro de sua vida.

Seria possível fazer isto?

Óbvio que não. Sentimento não é uma relação contratual sujeita a distrato. Ele está plantado na alma. É “imexível” como a liminar que retornou com os conselheiros remunerados.

Segundo os psicólogos, a melhor maneira de encarar uma profunda frustração é, primeiro admiti-la; depois, extravasar a revolta sem provocar danos morais ou materiais para terceiros. Em seguida, respirar fundo, voltar à vida, juntar os cacos, remendar o casco, e tentar conduzir o barco a um porto seguro.

A VIDA É TODO DIA! Hoje é domingo, amanhã segunda-feira. Gente querida depende de nós. E dependemos também de muita gente querida. Nesses relacionamentos que, afinal, formam a vida de todo dia, somos família, somos amigos, somos trabalho e somos Cruzeiro.

Isto compõe o nosso ser. Não podemos extrair, como se faz com um dente.

Tá horrível? Sem dúvida. Mas é o que temos. Não é possível que não melhore a qualquer momento. Não é possível que o nosso time não aprenda a bater escanteio, a dominar o meio de campo e a dar passes de mais de 10 metros.

Quem sabe poderemos ver tudo isto no próximo jogo, contra a Chapecoense?

Se não conseguimos com um dos últimos colocados na tabela, um catarinense que perdia pra todo mundo, quem sabe vamos conseguir contra outro catarinense, líder, que vem ganhando de todo mundo?

Eu acho possível. Porque é o Cruzeiro!

BATE PAPO NO QUINTAL

Apesar da permanente disposição do prof. Luciano Santos Lopes, relator do projeto do novo Estatuto, em receber sugestões e debater temas polêmicos sobre o trabalho, há um adversário que ele não consegue enfrentar: o tempo. Estamos à véspera da votação, os debates se aquecem, ainda sem concordância razoável e, o mais grave: a forma eletrônica de votação virtual é complexa, gera mais dúvidas do que certezas e reforça uma pergunta que não quer calar; porque tanta pressa em plena pandemia? Porque permitir que uma Mesa do Conselho Deliberativo cujo mandato expira em 31 de dezembro, conduza esta polêmica reforma? O novo Estatuto não seria melhor elaborado, discutido e votado sem as limitações impostas pelo confinamento em razão do Coronavirus?

Por que a pressa?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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