PARA UM NOVO CRUZEIRO PRIMEIRAS PEÇAS CHEGANDO

  • por em 10 de fevereiro de 2021

Rodolfo Rodrigues/Cruzeiro/Flickr

O armador Marcinho, destaque do Sampaio Correa, o lateral esquerdo Alan Ruschel, da Chapecoense, o volante Matheus Neris, do Palmeiras e que estava no Figueirense, o atacante Felipe Augusto, que não ficará no América, são os primeiros passageiros da esperança azul. Um novo time formado por operários da bola, harmonizados em suas linhas, jogando pra frente. 

São jogadores que conhecem a atual situação do Cruzeiro, admiram o seu passado e por isso vão querer repeti-lo no futuro.

Os nomes anunciados agradam a maioria dos cruzeirenses integrantes dos 40 grupos de que tenho a honra e o privilégio de participar. São jogadores que se enquadram no perfil traçado por Felipe Conceição, com destaque para a impetuosidade, o espírito de equipe, o compromisso.

Um passarinho me recomendou ficar de olho em Marcinho, camisa 10. O velho e sempre reclamado “meia armador” – expressão até hoje usada por Tostão – foi a mais sentida ausência naquele descolorido time do ano passado. Era uma interminável troca de passes do meio de campo até a nossa área porque ninguém sabia fazer lançamentos pra frente. 9 erros em 10. O que mais se reclamava é que, com uma evidente deficiência desta, fosse o time compensado com um leque de opções positivas nas bolas paradas (escanteios ou faltas). Mas também neste quesito éramos gongados, sempre.

Em verdade, a pergunta é: o que o Cruzeiro treinava?

BATE PAPO NO QUINTAL

1. A tradicional “guerra” esportiva entre Cruzeiro e Atlético já causou mortes, infelizmente, por causa de uma minoria desqualificada dos dois lados. Para a grande maioria, porém, é um plus que colore a vida. Vitória de nosso time e derrota do rival têm mais ou menos o mesmo peso de satisfação. Neste QUINTAL temos um bom duelo de esgrima, salvo algumas pedradas ocasionais. Como já observei, às vezes as entrelinhas revelam mais que a frase escrita. É o que aconteceu com Galo Doido New York em seu último comentário. Vamos recordar, primeiro, que uma das maiores torturas dos atleticanos é o longo jejum de títulos. Quem tem menos de 50 anos de idade não viu o Atlético ser campeão brasileiro. Apesar disto, num ato falho, Galo Doido New York tem coragem de perguntar:

“Alguém sabe a quantos anos o Cruzeiro não disputa a Série A do campeonato brasileiro”?

In claris cessat interpretativo.

2. EXTRA! EXTRA! Em apoio a João de Deus Filho e Rômulo, surgiu a terceira testemunha do “Almanaque Oficial do Cruzeiro”: “saulo antonio melo siqueira. Jura que o “Almanaque revela os 9×2, 6×1, 6×2”.

Alice terá de fazer um puxadinho rápido no seu País das Maravilhas.

3. Lucio Soares, Yuri e Jamicel construíram ontem a minha abençoada zona de escape pra suportar pancadarias. Felizmente tem sido assim: quanto mais forte a lesão, mais eficiente o “gelol azul” a nos reanimar na batalha. Obrigado pelo apoio. O Cruzeiro é isto. Mesmo em dificílima situação financeira, agravada excepcionalmente pela pandemia (por isto sempre advogo uma moratória nos encargos públicos) resta sempre acesa a chama da esperança, graças às nossas “páginas heroicas e imortais”. Vamos torcer para que estas grandes mudanças estruturais resultem em benefício para o Cruzeiro e que Felipe Conceição encontre as condições de tranquilidade, segurança e transparência para realizar o seu trabalho. Pelo que ele já antecipou de seus planos, os aplausos são unânimes. Está vacinado contra “fogo amigo”?

4 Rei Melo inconformado pela manutenção de certos jogadores no elenco para este ano. Esquece que existe uma coisa chamada “contrato”? E que esses contratos surgiram na administração Wagner Pires/Itair Machado?  Ainda outro dia, ao ler que está sendo celebrado acordo com Dodô, em torno de 15 milhões, tive de dar uma parada, respirar fundo e tomar um copo d’água, pra não passar mal. Um valor deste, 95% dos brasileiros empregados não conseguem alcançar, nem com uma vida inteira de preparo intelectual, aperfeiçoamento e dedicação extrema por 40 ou 50 anos de trabalho. Em dois anos, tendo entrado em campo pouquíssimas vezes, Dodô está conseguindo isto com um “contrato”, à la Itair Machado: se jogar ou ficar no banco, e chover, aumenta 10%; à noite, adicional noturno nos termos da lei; e a famosa cláusula de “participação remota”: se tocou na bola, no mínimo 15 minutos antes de um gol do Cruzeiro, 20% de aumento.

Absurdo é pouco. Temos de garimpar uma palavra pra definir esta aberração.

5. Jorge é uma incógnita. Dependendo da hora em que entra neste QUINTAL, seu Anjo da Guarda ou está presente ou saiu pra ver se está chovendo lá fora e ele fica momentaneamente desprotegido. Da primeira vez, ontem, por exemplo, estava a perigo e soltou pérolas, como estas: “O Atlético é o único time mineiro a participar de um campeonato mundial de clubes…” e, por mais incrível que pareça: “O Cruzeiro é como aquele nosso irmão menor. Seu único objetivo na vida é superar o seu irmão maior…” Então, Jorge, o Cruzeiro, bicampeão da Libertadores; bicampeão da Supercopa: tetra campeão brasileiro e hexa campeão da Copa do Brasil é o “irmão menor” do Atlético?

Já na “segunda” entrada no QUINTAL, Anjo da Guarda de plantão, ele abandona parcialmente o humorismo e, inspirado, entra “de primeira” no nosso inferno astral: “segundo me disseram, essa é a segunda segunda-feira do segundo mês do segundo ano em que o segundo time de MG disputa a segunda divisão pela segunda vez. Que ninguém fique bravo. É só uma informação sem segundas intenções. ”

6. O novo presidente atleticano, Sérgio Coelho, após a contratação de Hulk, se esquece da Selegalo e perigosamente chuta pra longe a prudência e o bom senso: “ a meta é o Atlético ser o maior time da América Latina nos próximos anos…” Ainda bem que não estimou a extensão desses “próximos anos”. E sorte dele, porque o atleticano sabe esperar.

7. Jones Augusto: o Dr. Sandro Gonzales, do Cruzeiro, já está aguardando o seu contato visando contribuir para a Reconstrução.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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