PROFETAS DE GUERRA ACABADA

  • por em 24 de dezembro de 2020

Vinnicius Silva/Cruzeiro/Flickr

Levado às cordas, com saraivada de golpes, sem forças ou vontade para reagir, o Cruzeiro tem deixado nocauteada é a Nação Azul com seus nove milhões de combatentes. Somos hoje, infelizmente, uma nau sem rumo tocada por ventos ocasionais. Em qual porto conseguiremos chegar?

A cada rodada, fica mais difícil prever a rota e se multiplicam os motins a bordo. Bate desespero. Revolta. Desesperanças. Campo fértil para a revisão crítica de tudo que já foi feito e que não deu certo.

Surgem então figuras conhecidas como “profetas de guerra acabada” ou “engenheiros de obra pronta” cuja obra prima é a condenação feroz das medidas que foram tomadas a um ano, dois ou três e que resultaram em fracasso. Agora, com os fatos consumados, não antes, esses “gênios” apontam soluções que deveriam ser tomadas e que, elas sim, resultariam em êxito.  Quanto mais se torna difícil a situação do Cruzeiro, mais tarefas “penosas” assumem esses “profetas”, apresentando por exemplo nomes que deveriam ser escolhidos no fim do ano passado, no lugar de Adilson Batista, depois para os lugares de Ney Franco, Enderson Moreira eRicardo Drubscky. E juram que os nomes sugeridos, se fossem contratados, teriam assegurado hoje, sem qualquer dúvida, a liderança da Série B para o Cruzeiro.

A carência de neurônios em dose mínima não permite a esses “profetas” perceberem que as decisões são tomadas de acordo com as circunstâncias da hora e as muitas variáveis envolvidas. A não ser a “Mãe Dináh”, ninguém pode prever o futuro. Jogam-se as fichas nos nomes mais adequados à situação daquele momento, não de hoje, com respaldo na experiência vivida.

Lá atrás, no pré-jogo da Série B, alguém poderia duvidar que o Cruzeiro subiria “com um pé nas costas”, mesmo largando em desvantagem de 6 pontos? A maioria da Nação Azul tinha essa expectativa e ela foi espalhada aos quatro ventos pelos condutores celestes de opinião. Uma corrente de otimismo blindou e motivou o time, resultando em vitórias nos três primeiros jogos.

Ainda não se sabe porque o time despencou nas rodadas seguintes. Causas a serem pesquisadas, quando for possível fazer isto sem paixão ou preconceito.

Sem a mínima dose de semancol, esses “profetas” não apenas apresentam as “soluções” que deveriam ter sido tomadas lá atrás como reproduzem mensagens motivadoras de cruzeirenses, ironizando a afirmação de que o Cruzeiro iria subir.

Como assim, cara pálida, você queria que se dissesse, naquele início do campeonato, que o Cruzeiro iria ser rebaixado?

Um mínimo de bom senso deveria ser obrigatório em todo ser humano.

BATE PAPO NO QUINTAL

Americanos vibraram ontem com o 1 x 1 contra o Palmeiras, no Allianz Parque, jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil. Cruzeirenses que assistiram ao jogo abriram a memória para reviver páginas imortais naquele palco: 1996, 2017, 2018. Atuações de puro encantamento, nos dando três campeonatos da Copa do Brasil, sedimentando o pedestal do Maior de Minas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments