RECONSTRUÇÃO PEDRA A PEDRA: CRUZEIRO COM PÉS NO CHÃO

  • por em 18 de fevereiro de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Até agora, três sessões de treinos com os primeiros sete reforços, a paz batendo na porta, expectativa de alivio financeiro vindo do Bragantino (Jadsom Silva) e do Japão (Cacá); um saudável clima de confiança parece voltar devagarinho na bagagem do conciliador André Mazzuco. Os primeiros sinais são de que um Cruzeiro que nem lembra o 2020 está sendo montado para 21, calçado com as sandálias da humildade. Este é o nosso caminho único. 

O irônico é que enquanto atleticanos acendem braseiro de churrasco com notas de dólares, contas de luz e água são problemas mensais no mundo azul.

O Atlético, por 32 milhões, tira Nacho Fernandez do River Plate; o Cruzeiro, praticamente sem custos, busca Marcinho no Sampaio Correa. A diferença em valor de mercado, dos dois armadores, vem alimentando as gozeiras de sempre, potencializadas hoje por este fenômeno chamado grupos sociais. Mas, e aí mora a maior sedução do futebol, também conhecido como “caixinha de surpresas”: montões de dólares têm destaque garantido só nos balancetes. Não entram no gramado. Você apostaria uma soma alta que Nacho Fernandes fará mais para o Atlético do que Marcinho pelo Cruzeiro? Óbvio que não. O imponderável e o inimaginável entram em campo, nas situações mais imprevisíveis, pra advertir: não se compra sorte com dólares.

Pedra a pedra, sem alarde, o Cruzeiro faz a reconstrução possível. A renascente esperança azul atende por dois nomes: Felipe Conceição e André Mazzuco. Nunca haviam “cantado” juntos, por isso ninguém imaginou pudessem mostrar tanta afinação nessas primeiras apresentações.

Que continuem assim, sem interferências nas suas partituras. Sem fogo amigo.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Zé Eduardo, reanimado, volta ao Cruzeiro. O atacante retirou reclamatória trabalhista de 2 milhões, reintegrou-se ao grupo e sempre que é perguntado ressalta a confiança na nova Comissão Técnica do Cruzeiro. Leia-se: André Mazzuco e Felipe Conceição.

2. Marcelo, Yuri e Beth Makennel, sem desconhecer a realidade, começam a sonhar com o novo Cruzeiro. Eu também. Na parte técnica, o planejamento, contratações, dispensas e vendas de jogadores, tudo parece estar sendo feito da melhor maneira possível. O receio continua sendo os aspones, o fogo amigo. E a presença de ratos no barco, combatidos com Racomin falsificado. Estas situações dúbias, o lixo debaixo do tapete, acabam chegando ao gramado.

3. João de Deus Filho, com estilo, recarrega as ilusões, tripudia sobre a nossa desdita e diz que estou “morrendo de inveja ao ver a Arena MRV sendo projetada…”

Estou sim. Gostaria – e como! – que isto estivesse acontecendo é com o Cruzeiro. Pra “matar” atleticano de raiva.

Mas, meu caro João de Deus, esta é a nossa diferença histórica: a inveja de agora não fica sozinha no coração azul. Ela está acompanhada da chama da esperança em dias melhores. É do nosso DNA dar a volta por cima. Mais cedo do que você pensa, o Atlético voltará a ser o segundo maior de Minas.

4. Galo Doido New York, posseiro deste QUINTAL, quase com direito a usucapião, encarna o atleticano típico, de raiz. Masoquista histórico, vocacionado para apostas suicidas e sonhos mirabolantes (“segue o líder”, Sampaoli, Selegalo) reage à costumeira frustração atacando o Cruzeiro. Quando a casa cai e volta o cinquentenário pesadelo, toma o remédio de sempre: revisionismo das “páginas heroicas e imortais”. Faz isto não, João. Vai sofrer outra vez. Fato é fato. Por exemplo: O Cruzeiro, embora na Série B e com “aquele time”, teve vários de seus jogos marcados para quartas-feiras, com transmissão direta da Globo. Isto só aconteceu com o Cruzeiro. Temos certificação de sucesso. De primazia. De protagonismo em Minas e no Brasil, fora do eixo Rio-São Paulo. Inapelavelmente, somos o Maior de Minas. Mas concordamos: o Atlético, hoje, está o Maior de Minas.

5. Júlio Cesar Saldanha Rosa, o seu propósito de apresentar sugestões de Marketing ao Cruzeiro será melhor efetivado com um contato com o dr. Sandro Gonzáles, que integrava o Conselho Gestor e, por sorte do nosso Clube, continua assessorando o atual comando celeste. Empresário vitorioso, foi eleito recentemente como um dos melhores CEOs do Brasil. Júlio, sabe dessas pessoas verdadeiramente gratificantes que a gente encontra na vida? O dr. Sandro é uma delas.

E por último, não se importe com “ Sem Paciência”, cúmplice, revisor e censor deste QUINTAL. Como o próprio codinome sugere, prudência e pensar antes parece não fazer parte da rotina dele, apesar de outras e muitas qualificações…

Sempre o imagino tomando comprimidos. Quantos já tomou, com pressa e distraído, sentindo em seguida que não tirou a drágea da cartela?

6. William, o farol de popa está apenas momentaneamente desligado. Agora, mais do que nunca, precisamos do farol de proa, pra tornar menos complicada a tarefa de Felipe Conceição e Mazzuco. Tenha certeza, chegará o momento de clarearmos o trajeto percorrido. Também para a tranquilidade minha e do Conselho Gestor.

7. Dalva Paz seja bem-vinda, ao incluir-se entre os raros e corajosos leitores deste QUINTAL (com licença do Juca Kfouri). Mas pedir que a gente nem se refira ao time do lado de lá é impossível. Temos uma relação simbiótica. Pode-se falar de rosas ignorando os espinhos?

8. Teobaldo, não se esqueça de que a “voz das ruas” tirou a camarilha que acabava com o Cruzeiro. É verdade que hoje, unindo-se a força invencível das correntes sociais pela Internet, com a inescrupulosa manipulação de “opiniões” através de laboratórios de “fakes”, as “multidões” às vezes enganam. Em suma, tudo hoje parece ser difícil, perigoso ou suspeito. Acordar é aceitar desafio.

9. Sem Paciência, entre os escorregões rotineiros, comete desta vez dois pecados mortais: critica a observação que fiz no sentido de que torcemos, nós cruzeirenses, por dois times e pergunta se alguém leva a sério o Milton Neves. Ah, então quando elogia e acerta, é São Milton Neves, carregado em procissão, reproduzido aos milhares nos grupos sociais. Só não pode é fazer previsões furadas sobre o Atlético. Mas ele sabe fazer outra coisa?

Quanto a torcer por dois times, por favor Sem Paciência! Cruzeirenses e atleticanos há meio século fazem isto. Vitória do Cruzeiro ou derrota do Atlético têm quase o mesmo peso de satisfação. E vice-versa. Não duvido que você tenha em sua casa camisas ou bandeiras do Borússia, Bayer de Munich e Estudiantes.

Eu tenho do Raja Casablanca e do Afogados da Ingazeira…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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