RESCALDO DE ESPERANÇAS

  • por em 21 de dezembro de 2020

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Apagadas as chamas, dominado o incêndio, bombeiros começam o rescaldo que é a busca de brasas sob as cinzas. É preciso investigar nos montes de escombros se há ainda rastilho oculto de fogo que faça recomeçar tudo outra vez.

Sinistro de grandes proporções calcinou as esperanças azuis na noite da última sexta-feira, com perda total. Expectativa e confiança viraram montanha de carvão. É nesse cenário desolador que a tabela da Série B marca para amanhã, às 21h30 mais um teste cardiológico para a Nação Azul. Será em Campinas, contra a Ponte Preta.

No turno, vencemos e este QUINTAL cravou que o Cruzeiro atravessara a ponte da esperança. Era ilusão. O sonho foi se acabando jogo a jogo, com um desfile de mediocridades atirando pontos para o lixo.

O resultado são 9 milhões de maiores e menores abandonados no quesito esperança mas que, apesar disso, estarão outra vez com o coração na mão quando começar o jogo contra a Ponte.

Haverá ainda rescaldo de esperanças? O folclore atribui à mulher do malandro a resiliência especial de absorver pancadas e continuar dividindo pasta dental com o agressor. Teremos esta vocação? Com o corpo ainda machucado, como vamos torcer amanhã?

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Wellington compareceu ontem neste espaço democrático para dar parabéns ao blogueiro “por colocar a cara à tapa todo dia”. Obrigado, Wellington. Não é fácil, por causa das pancadas que recebo. Mas é compensador pela participação cada vez maior de comentaristas. Além disso, é por aqui que me comunico com 43 grupos sociais azuis. Uma honra que justifica qualquer sacrifício.

2. Geraldo e Flavio a ponto de chutar o balde. E não estão sozinhos. Nem o mais pessimista dos cruzeirenses poderia imaginar a situação que estamos passando na Série B com um time que não quer ganhar.

3. Rei Melo observa que, por ter integrado as últimas administrações do Cruzeiro, no Conselho Deliberativo, eu deveria ter conhecimento das falcatruas. Não é assim. O presidente Wagner Pires e sua turma fizeram ponte direta com a Família União, passando por cima da Mesa do Conselho Deliberativo. E quando precisava de contato com o Conselho, a presença exclusiva era de Zezé Perrella. Guardadas as abissais diferenças, fui vice, tal como Temer, de Dilma.  Peça decorativa. Tanto assim que no encontro histórico em churrascaria da Raja, reunindo a presidência do Cruzeiro, a Mesa diretora do Conselho, representada por Zezé Perrella, de onde saiu a nomeação de Gustavo Perrella como assessor especial de Wagner, esteve presente toda a cúpula do Clube, cerca de uns 50 dirigentes, conselheiros, especialmente os que eram remunerados. Uma ampla foto, divulgada maciçamente, estampa rostos sorridentes, felizes com o pacto Wagner/Perrella. Eu não fui nem convidado.

4. Gunther Hofner, combativo atleticano, quer nos fazer crer que ele e torcida não estão nem aí pela zuação cruzeirense. Desculpe-me, mas não acredito. Durante muito tempo vocês eram mais anti-Cruzeiro do que torcedores do Atlético. Cheguei até a fazer coluna pedindo perdão porque a gente não sabia que esse bullying machucava tanto. Concordo que agora é a vez de vocês. Só espero que não seja por 30 anos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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