XINGAR ADIANTA?

  • por em 3 de setembro de 2020

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Sim, como catarse que é aquela explosão de pensamentos reprimidos e que resulta em alívio.  E como xingamos ontem à noite! Jogadores, comissão técnica, todas as diretorias e até a sorte, que tem nos ajudado muito pouco nos últimos jogos.

Estamos longe de fazer por merecer, mas não custaria nada um empurrãozinho. Por exemplo, no primeiro tempo, domínio total até os 30 minutos, repetindo-se jogadas agudas de ataque, como todo mundo vinha cobrando antes.  Ali, perdemos o jogo. A cabeçada de Marcelo Moreno e o chute de Caike, em 10 jogos sem a tensão que estamos vivendo seriam gol em 8 ou 9. Também os chutes de média distância, tentados por Mauricio e outros, passando longe do gol, teriam certamente melhor aproveitamento, não fosse o drama financeiro, moral e psicológico enfrentado pelo Cruzeiro desde dezembro último e que repercute, sim, no gramado.

Este drama está presente nos cruzamentos horrorosos, nas faltas ridículas que fazemos no meio de campo, justo quando faltam apenas 10 ou 15 minutos para o jogo acabar, precisamos marcar um gol, enquanto o adversário só quer escutar o apito final. Nestes momentos, em cada jogada ridícula vemos claramente “a crise em campo”. O jogador, inconscientemente, pelo instinto, projeta a ação certa, mas o desespero entorna o caldo.

Isto vai parar, porque não seremos indefinidamente, no futebol brasileiro, alvos únicos de ações policiais. Vários grandes, como sabemos, são iguais ou piores do que o Cruzeiro, só falta o flagrante. E aí estaremos finalmente em vantagem, porque nossa roupa suja foi lavada na rua. Já pagamos o vexame, identificamos os bandidos e seus apoiadores. Só falta prender e recuperar o que nos foi tomado.

Estamos com raiva, sim, mas pelo nosso passado glorioso, nunca deixaremos o Cruzeiro. Ele adere à nossa personalidade, cria uma espécie de estado de alma azul estrelada que se confunde conosco. Somos inapartados. 

Então vamos xingar, protestar, desabafar, aliviando a raiva pelo resultado de ontem. Mas lá no fundo, um raio de esperança teima em nos lembrar que logo vai terminar este estado de coisas. Ontem à noite, lá em Caxias do Sul, este raio de esperança ganhou nome: Airton. Raça, habilidade, coragem. Joga pelos lados e já faz por merecer um ou dois companheiros permanentes para a implantação de jogadas. 9 milhões de torcedores merecem!

O mais é trabalhar, persistir e treinar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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