30 GRUPOS SOCIAIS?

  • por em 16 de novembro de 2020

Mas que hora você almoça, paga contas, responde aos filhos, dorme?

A revelação de que participo de 30 grupos sociais de torcedores do Cruzeiro assustou muita gente. Só acreditaram porque publiquei a relação completa deles. As dúvidas maiores residem na Física: se o dia tem 24 horas, se os grupos se comunicam na média de 30 mensagens por hora, praticamente você recebe 900 em uma hora, 15 a cada a cada minuto.

É isto mesmo!  Uma doce loucura diária, permanente, instigante. Boa parte é pancadaria virtual, gozações terríveis. Óbvio que gostaria, mas não consigo ler tudo ou acompanhar tudo, mesmo por alto. Aí prevalece a experiência, tal como o cozinheiro que se aproxima do fogão de 12 bocas e percebe pelo cheiro ou pela fumaça da panela qual está “queimando”. É assim nos grupos. Mas só observo. Seus membros são adultos, capazes (muito mais que eu) e sabem jogar água na fervura, ou desligar o gás.

Minha comunicação com eles é no QUINTAL. Aquela parte nos fundos da casa, longe da fachada, sugerindo contato mais amigo. Mais próximo. Fora dos holofotes da rua. Um papo “quase” confidencial.

Imaginei esta forma, no instante maluco em que, deixando a presidência interina do Cruzeiro, aceitei o convite para escrever esta coluna diária. Missão de escrever todo dia texto otimista sobre um barco afundando.

Dizem que por 10 minutos, a cada dia, o nosso Anjo da Guarda deixa o posto e vai entregar seu relatório. É quando você pede alguém em casamento ou compra um CD de sertanejo universitário. No meu caso, aceitei capinar este QUINTAL. Devia isto à torcida.

Apesar das pancadas, não me arrependo. Quando tudo estava horrível e o que vinha no horizonte era pior, pude encontrar uma nesga de luz no céu escuro. Na saraivada de trovões, com os relâmpagos aterrorizando a Nação Azul, acredito ter tido a sorte de apontar sempre um raio de esperança. Sempre me sentia pagando um pouquinho do muito que devo à torcida.

Agora, meu débito (particular, desta vez) aumentou.  Um dos 30 grupos relacionados na coluna de ontem resolveu acrescentar ao seu nome o título da coluna e passou a chamar-se: LABANDA CANHÕES DE NAVARONE.

Até hoje sinto como se recebesse homenagem de estátua em praça pública.

Antes que a turma do “#FORA DALAI” se manifeste, quero confessar que este QUINTAL não é unanimidade. Já fui excluído sumariamente de um grupo e moralmente de outro (“Dalai, você em silêncio é insuperável”).

E outro dia recebi mensagem agradecendo porque dois filhos do torcedor melhoraram o desempenho escolar. É só ameaçar: estudem ou terão de ler a coluna do Dalai.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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