AFINAL, QUEM É PROCÓPIO?

  • por em 28 de julho de 2020

Arquivo Estado de Minas

Mensagens continuam chegando a este Quintal perguntando sobre Procópio. Possivelmente, quem tem menos de 40 anos nunca ouviu falar dele. Mas quem tem mais de 40, não o esquece pelo jogador que foi. Pelo homem que é.

Estamos focando um cara predestinado.

Fez mágica com o tempo!

Mesmo perdendo cinco anos em recuperação, quando, em 1968, Pelé quebrou a sua perna, e mesmo ficando 14 anos no Qatar, foi várias vezes campeão pelo Cruzeiro, pelo Atlético, pelo Fluminense, pelo São Paulo, pela seleção mineira e convocado pela brasileira. Sua vida dá um livro. E ele está sendo escrito.

Em dez anos, viveu 30!

Procópio Cardoso Neto nasceu em Salinas, em 1939. Aos 10 anos viu o pai, Promotor de Justiça, ser morto com um tiro, na sua frente. Imensurável a dor sofrida. Inimaginável o sacrifício para suportar a tragédia e encarar a vida que estava apenas começando. 

Bagagem com sobrepeso de angústia, veio para Belo Horizonte. No internato no Colégio Batista, por cinco anos, a convivência com o conterrâneo Sálvio de Figueiredo Teixeira, que se tornaria expoente jurídico do Brasil, ajudou a aliviar as feridas da alma.

Já no externato, tornou-se centro avante do juvenil do Renascença. Aí o destino começou a trabalhar a seu favor: assistindo treino do Cruzeiro, no campo do Barro Preto, e tendo faltado um zagueiro, foi convidado a entrar. Não saiu mais. Com um detalhe: nunca havia jogado de zagueiro.

Com 20 anos ganhou o primeiro título pelo Cruzeiro, em 1959. Nos próximos 10 anos, sucessivamente, foi tri campeão pelo Cruzeiro, campeão pelo Atlético, pelo Fluminense, pelo São Paulo, integrou as seleções dos três Estados, foi convocado pela Seleção Brasileira e novamente bi mineiro e campeão brasileiro pelo Cruzeiro.

Esta intensa e raríssima convivência com títulos sucessivos de campeão foi brutalmente interrompida em 1968 quando teve a perna quebrada, numa disputa de bola com Pelé. Procópio havia voltado ao Cruzeiro em 1966, para ser campeão brasileiro, e bicampeão mineiro, em 67 e 68. Nesse último, ocorreu o jogo fatídico. Há vários anos o Santos não vencia o Cruzeiro e isto tornava a partida mais acirrada. Pior ainda para Procópio:

“Tinha vindo do Palmeiras e nos meus dois últimos jogos contra o Santos vencemos de goleada, o último, de 5 x 0.

Morumbi, 13 de outubro de 1968. Santos x Cruzeiro.O primeiro tempo estava avisando que o jogo não iria acabar bem. No intervalo, como capitão, procurei o juiz e pedi que fosse mais enérgico, porque a violência estava demais. Não adiantou. Voltamos para o segundo tempo e aos 5 minutos, tirei a bola com a perna direita, mantendo a esquerda apoiada no gramado. Pelé, na maior covardia, foi direto no meu joelho esquerdo. O Morumbi ouviu o barulho. ”

A recuperação se estendeu por exatos cinco anos, um mês e treze dias. Um ano na Santa Casa, outro tanto no São Lucas e o restante no Arapiara.

Sacrifício recompensado por vitoriosa volta aos gramados. Foi bicampeão mineiro pelo Cruzeiro, compondo zaga com Perfumo. E teve a emoção de ver o seu nome incluído na seleção feita por Perfumo dos maiores jogadores que ele viu atuar.

Daí pra frente, brilhou como técnico. No Brasil e no Qatar, onde ficou por 14 anos e até hoje é lá um ídolo reverenciado pelo monarca. Mas isto é tema até para livro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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