BATOM NA CUECA

  • por em 19 de agosto de 2020
Toca da Raposa

A sabedoria popular cunhou esta expressão para retratar situações em que, simplesmente, não há o que dizer. É o ladrão surpreendido de madrugada, em cima do muro da residência, com os produtos que acabara de furtar; é a situação clássica, pavorosa, que deu nome à série: o maridão chega de madrugada, vindo de reunião na empresa, e ao colocar o pijama, explode na cueca branca, a marca escandalosa de batom! Olhos esbugalhados, a esposa sem fala aguarda explicações que não existem. 

Assim como não se consegue tampar o sol com peneira, enfrentamos situações das quais não há fuga possível. Você pode adiar. Mas nunca escapar.

O Cruzeiro, que sobrevive agora a uma tragédia administrativa, vive o momento singular de descobrir batons nas cuecas.  Muitos golpes foram bem arquitetados, com um laranjal à disposição. Mas outros, pela confiança que se reforça pouco a pouco na prolongada impunidade, têm descuidos que vão pincelando o batom na cueca.

Por exemplo, na última renovação de contrato do nosso excelente goleiro pagamos sem a mínima necessidade e sem qualquer razão, 700 mil reais de comissão a um representante do Fábio, que o próprio Fábio não conhecia nem conhece.

A qualquer momento, hoje, amanhã ou pouco depois, o Ministério Público vai abrir a janela e deixar o sol iluminar as primeiras barbaridades apuradas. Não serão todas. Só as mais evidentes, coletadas no Primeiro Tempo, sugestivo nome da apuração policial.

Quando você se escandalizar com as primeiras divulgações, talvez até prisões, lembre-se que ainda haverá o Segundo Tempo.  Veja o que afirmou o Promotor de Justiça, Dr. Daniel de Sá Rodrigues:

“Os fatos foram sendo comprovados em velocidades diferentes. Para evitar que se aguardasse muito tempo para chegar a uma conclusão final, conversamos com a Policia Civil e ajustamos que fosse fechado um primeiro momento com os fatos mais avançados. Fatos que não avançaram tanto em um primeiro momento vão ficar para o segundo tempo. ”

Em resumo: O que foi feito, está feito. Não pode ser desmanchado. Registros da Internet, cheques emitidos, comissões fantasmas, depósitos realizados, transações comerciais estranhíssimas, contratos absurdos, tudo isto faz parte de um volumoso inquérito policial que já ouviu 70 pessoas e tem milhares de páginas.

As apurações não têm e nem podem ter a pressa que o nosso desespero e a nossa revolta exigem.  Tudo tem de seguir o devido processo legal, com o mais amplo direito de defesa, sob pena de nulidade decretada na primeira esquina. É por isso que devemos ter calma, aguardando o Segundo Tempo.

Mas o Primeiro Tempo é agora!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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