DESPEDIDA MORNA EM BH

  • por em 25 de janeiro de 2021

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Cruzeiro e Náutico fizeram ontem um jogo síntese do nosso campeonato: muito esforço mas sem esquema, lançamentos perdidos e a sucessão de faltas desnecessárias travando os poucos ataques. Desta vez, a expulsão de Fabio, aos 6 minutos do primeiro tempo, dificultou o que já não era fácil.

O último jogo em BH neste findante campeonato foi mais do mesmo. Tivemos 23% de posse de bola. Aqui perdemos mais pontos do que fora. Em grande parte dos jogos, abdicamos de atacar. Em muitos, marcando primeiro, recuamos à espera do empate ou da virada. Sexta-feira será o encerramento, contra o Paraná, em Curitiba.

Acabará uma temporada horrível, sem deixar saudade. Em gravíssima situação financeira, o Cruzeiro precisa motivar a formação de uma ampla força de emergência, acima das correntes partidárias. Acima da arrogância e do egocentrismo.

Acordar e reagir enquanto há tempo.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Alex Souza faz uma ponderada, objetiva, mas dolorosamente realista análise da situação do Cruzeiro. “O tempo tem sido perdido com foco equivocado”, observa ele, condenando as discussões infindáveis e estéreis sobre temas secundários. Após enumerar esses debates que não trazem qualquer benefício, adverte: “O tempo está passando e o clube continua se afundando´. Recorda as altas cifras de rendimentos nos últimos anos e conclui: “Quando havia muito menos dinheiro, a geração passada de mandatários trabalhou e conseguiu manter a casa em ordem. ”

Meu caro Alex, obrigado pela sua excelente contribuição. Triste, mas verdadeira. Às vezes penso que estava escrito na nossa trajetória, para compensar tantas páginas heroicas e imortais, passarmos por este purgatório. Porque muitos avisos foram dados nos últimos 10 anos. Muitos sinais, detectados. Não foram suficientes.

2. Galo Doido New York aceite que não houve distorções. Recebemos um título mais que honroso e significativo de entidade isenta, internacional, sediada em Bonn e reconhecida pela FIFA. Desculpe-me, mas o atleticano que vibra tanto com o título de Campeão do Gelo que lhe foi presenteado pelo autor do seu hino, o que faria com o de Melhor Clube Brasileiro do Século 20? Sei que aplicados outros pesos para outros títulos, talvez o resultado alterasse. Mas sei também, e isto nos basta, como bastaria pra vocês, que segundo os critérios do IFFHS, o Cruzeiro é o melhor do século no Brasil.

3. João de Deus Filho, descrevendo o Cruzeiro em estado terminal, me lembra que vacinas não curam. Apenas previnem. É verdade. Mas permitem que a equipe de frente, imunizada, atue mais próxima do paciente. A relação de dívidas acumuladas e de processos de cobrança é de fato assustadora. Contratos com cláusulas absurdas, inimagináveis e salários, aumentados criminosamente em 50, 60 e até 100 %, estão em cobrança judicial. Em duas colunas intituladas CRUZEIRO INJUSTIÇADO defendi a tese de que pela coincidência de tragédias que nos atingiram – Corona-Wagner e Coronavirus – tínhamos de receber dos órgãos públicos pelo menos uma moratória.

A situação continua gravíssima. Deveria haver um apelo honesto, depurado, de formação de uma frente ampla de socorro. Sem bandidos infiltrados.

João, atleticano, encerra a sua sempre bem-vinda contribuição a este QUINTAL com um devaneio: o Atlético tentará contratar Cavani ou Hulk para a inauguração do estádio. Cuidado, João. Já houve uma Selegalo que não deu certo. E os problemas do Corinthians aumentaram depois do novo estádio. Você dirá que o esquema aqui é diferente. E eu volto a lembrar que não existe almoço de graça.

4. Teobaldo critica o blogueiro por cravar que 9 milhões de olhos vigiam a administração. A arrogância está diminuindo ou cada cruzeirense possui apenas um olho? Meu caro Teobaldo, sob certo ângulo, você tem razão. Mas me dê, também, um pouco, entendendo que a frase não implícita seria “9 milhões de par de olhos” …

5. Icaro Leão e Rei Melo perdendo as esperanças com o Cruzeiro. Enumeram as frustrações de 2019 e 2020, absurdas e até tragicômicas. Uma sucessão de atos dúbios minando a confiança. O tempo vai passando e a situação piorando. Têm razão. Mas não desistam do Cruzeiro. Ele é grande demais prá cair assim, sem luta.

6. Como já foi lembrado aqui: o Cruzeiro pode nos decepcionar; o Atlético, nunca.

7. No jogo de ontem, contra o Náutico, a entrada de Patrick Brey no final do segundo tempo mostra que precisamos de jogadores no campo e no banco.

8. As teias do destino tecem enigmas: a última vitória do Internacional sobre o Grêmio foi em 9 de setembro de 2018, com gol de Edenilson. Desde então, só derrotas e, no máximo, empates. Até ontem, quando Edenilson fez, de novo, o gol da vitória.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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