FOGUEIRA DAS VAIDADES

  • por em 8 de outubro de 2020

Ainda não aprendemos nada, infelizmente.

Consumimos o tempo olhando para o próprio umbigo e jogando para a plateia.

Assumimos o Cruzeiro que, desde a fundação, graças à sua torcida e às administrações passadas, recebeu de Instituto alemão de Pesquisa e História do Futebol, reconhecido pela FIFA, o título de Melhor Clube Brasileiro do Século 20, e o estamos jogando às portas da série C.

Vergonha!

Às vésperas de nosso centenário, quanta luta foi necessária para chegarmos até aqui; quanta renúncia, quanta fé, quanta determinação, quanta coragem…

Um presidente assaltante de esperanças assumiu, formou uma quadrilha e arrasou o Clube, com o apoio de um grupo de torcedores que se nomearam Família União. Só de ingressos de cortesia para alimentar este grupo, o Cruzeiro foi sugado em 2019 em 9 milhões de reais. Plantaram na Campestre, dezenas de cargos remunerados. Com a renúncia do antigo Conselho Fiscal, este grupo patrocinou uma chapa, liderada por Paulo Pedrosa que, em campanha, recebeu o franco apoio do Presidente Wagner, através de churrascos e caldos.  Até então, nunca foi possível conceber-se candidatos ao Conselho Fiscal receberem apoio declarado da administração que seria fiscalizada. É como um governador patrocinar candidatos ao Tribunal de Contas do Estado. Um absurdo. Mas aconteceu e a chapa “oficial”, venceu. Após alguns meses, a primeira declaração do novo Conselho Fiscal foi de que não havia encontrado qualquer irregularidade nas contas da administração Wagner…

Vieram as eleições para o Conselho Deliberativo e a Família União lança Paulo Pedrosa. Como os votos adversários se dividiram em duas chapas, foi ele eleito por menos de ¼ dos conselheiros, 12 votos a mais.

Articula-se agora a Família União para vencer outra vez as eleições para a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo, assegurando que nenhuma providência judicial se tomará para derrubar a liminar que retornou os conselheiros afastados. Esta é, talvez, no Brasil, a única liminar incaível.

Enquanto isto, continuamos alimentando a fogueira das vaidades. O egocentrismo é o sol deste ridículo sistema planetário. A lamentável perda dos 6 pontos determinados pela FIFA, é ainda episódio que deverá ser devidamente esclarecido, porque após todos os percalços e frustrações, agravados pela pandemia, tínhamos um empréstimo bancário praticamente assegurado e que se esvaziou de repente. Confinado em casa, pelo COVID 19, fui informado na véspera, da concessão do empréstimo e, entrevistado, comuniquei a boa nova. Mas nosso tapete foi puxado na última hora.

Infelizmente, o Cruzeiro perdeu para Cuiabá, Chapecoense, América, Avaí, CSA, Brasil de Pelotas e, hoje, Sampaio Correa. 

21 pontos!

Mas os culpados pela nossa tragédia na tabela de classificação da Série B são o presidente Dalai Rocha e o Conselho Gestor, pela perda dos 6 pontos determinados pela FIFA!

Todo dia ouvimos isto de quem insiste em tampar o sol com peneira, jogando para a arquibancada. Essa insânia administrativa chega ao campo de futebol e contamina os nossos jogadores. Eles não conseguem saber o que fazer com a bola. Vimos o trágico resultado disto, hoje à noite, com a inaceitável e intolerável derrota para o Sampaio Correa.

Não dá raiva. Dá pena, de ver o Cruzeiro se desmanchando assim, sem horizontes, alimentando conhecidos corruptos, montando chapas eleitorais para o Conselho Deliberativo que são um tapa na nossa cara!

Chega!

Quem for cruzeirense, dispa-se de sua vaidade, de seu interesse eleitoral egoístico, pare de olhar para o próprio umbigo e filie-se num GRUPO DE EMERGÊNCIA PARA SALVAÇÃO DO CRUZEIRO.

A coordenação poderá ser do Presidente do Cruzeiro, mas este grupo deve ter obrigatoriamente a coparticipação diretiva de Pedro Lourenço e de Vitório Medioli. Os três decidirão como se concretizará o apoio da Nação Azul.

Temos de ter a noção da profundeza do abismo para tentarmos alcançar a grandeza de nossas novas, desprendidas e saneadas atitudes.

O Cruzeiro merece.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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