QUEM É ESSE ÉVERTON RIBEIRO?

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  • por em 12 de fevereiro de 2021

Alexandre Guzanshe / EM / D.A Press

Em 2012, remontando o time que iria ganhar tudo em 2013, o Cruzeiro fez o que está fazendo agora: garimpagem.

Saiu às compras, não nas grifes reluzentes da Quinta Avenida. Circulou pelos “Shoppings Oi” da vida e fisgou uma legião estrangeira, revoltando a torcida. É da nossa cultura receber craque no aeroporto. Combustível certo pra acender esperanças e pavio de foguetes.

Há três semanas o Atlético fez isto com Hulk, aposta corajosa, beirando milhão e meio por mês. Outras estrelas da mesma constelação já providenciam visto de trabalho para o Brasil, o time de 200 milhões de reais terá valor dobrado.  Aposta que tira o sono de muitos atleticanos de raiz, ainda assombrados por um pesadelo chamado “Selegalo”.

Em caminho oposto e obrigatório pela terrível crise financeira que enfrenta, o Cruzeiro procura a xepa das feiras livres. Foi de lá que em 2012 pescou uma dupla desconhecida: Everton Ribeiro e Ricardo Goulart. Quem sãos esses caras? Perguntava a torcida enquanto organizava passeatas de protesto.

Todos queremos diamantes no nosso time. Quem pode, tem pressa e quer arriscar, vai nas pedras buriladas, já famosas nos mercados.

Quem compra janta vendendo almoço, pega a bateia e, no meio do rio, tira cascalhos.  Às vezes, incrustados nos granizos há sinais de pepitas. 

Fizemos assim. Ricardo Goulart jogava a Série B, pelo Goiás.

Com Nelinho, a mesma coisa. Vazando a notícia de que o Cruzeiro estava de olho num lateral do Remo, o Atlético pulou na frente e contratou o titular Aranha. Uma raposa chamada Felício Brandi foi a Belém e trouxe Nelinho, que era reserva de Aranha.

Quem marcou o gol que deu ao Palmeiras o troféu de Campeão da Libertadores, há algumas semanas, foi Breno Lopes. Morava aqui numa casa de três cômodos, bairro São Bernardo.

Aos 11 anos de idade, passou nos testes do Cruzeiro e ficou até os 15. A altura não era padrão na Toca e foi para o sul do País. Estava no Juventude, até novembro do ano passado, de onde saiu para o Palmeiras.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. CRUZEIRO JM – Reitero sempre o orgulho de participar de cerca de 40 grupos azuis, de onde colho informações, sugestões, críticas. Hoje, do CRUZEIRO JM tirei o tema da coluna, graças ao Pablo Luciano e ao Diego que aplaudiam as garimpagens agora feitas na Série B e divisões inferiores.

2. guioday rodrigues, que só acredita em jogadores de um milhão por mês, critica o Cruzeiro por catar “refugos da Série B”. Vivendo mundos diversos, Cruzeiro e Atlético fazem hoje apostas opostas. A não ser Mãe Dinah, ninguém sabe qual dará certo.

Mas, guioday, depois de ler a coluna de hoje você repetiria o que escreveu? Ou começou a dar uma tremura nas pernas.

E você, Igor Rocha?

3. Galo Doido New York divulgando ranking de torcidas atribuído ao IBOPE pelo qual aparecem o Atlético em 6º, com 7 milhões de torcedores, e o Cruzeiro em 7º, com 6 milhões e 200 mil. Desculpe-me, mas posso duvidar? Não de você, mas da fonte. Há uns dez anos, no interior de Minas, eram 70% de cruzeirenses. E o Atlético nem era o segundo. Este assunto será esclarecido.

NR. A coluna, com este comentário, estava preparada no fim da tarde de ontem, pronta para ser enviada à edição programada para as 5.00 hs desta sexta, quando aos 50 minutos do segundo tempo Macedo comparece para informar que essa pesquisa, citada por Galo Doido, é de 2014 e já foi desmentida em 2017, em matéria do jornal “O Tempo”.

4. Jonathan R. antecipou a coluna de hoje. O caminho tem de ser este mesmo. Também acho que Mazzucco está surpreendendo. Uma aposta que dá certo, pra compensar tantas outras fracassadas. A maioria das vezes, sem culpa de ninguém. As circunstâncias do momento indicam direções a serem tomadas. Aí entra o aleatório. Estão nestas Adilson Batista, Ney Franco, Enderson Moreira e Felipão.

5. Sem Paciência também aborda, com razão, os graves problemas que nos jogaram neste buraco. Causas agora identificadas, embora não totalmente solucionadas. Na coluna de hoje me arrisco a afirmar: o caminho escolhido pelo Cruzeiro, na remontagem do time, é o certo. O farol agora tem de ser o de proa, clareando pra frente.

6. Rei Melo, justamente revoltado com a situação do Cruzeiro, questiona a atuação do Conselho Deliberativo e os contratos firmados. Tem razão. Um dos problemas é o sistema de presidencialismo sem freios, adotado historicamente no Clube. O Conselho Deliberativo não tem meios preventivos. Só punitivos, tempos depois, quando apurado e havendo culpados. Quanto aos contratos, foram redigidos de forma criminosa, perversa, sem o mínimo respeito aos interesses do Clube. Um absurdo. Multas astronômicas impedem a rescisão.

A luz de esperança é a forma “pé no chão” em que o time está sendo reformulado. Estou apostando que vai dar certo. E torcendo pra que Felipe Conceição se proteja contra fogo amigo.

7. Macedo, atleticano com diploma do Instituto Rio Branco, foca a situação de uma lenda do Cruzeiro: o nosso goleiro Fabio. Devemos tanto a ele que essa abordagem tem de se cobrir de respeito e cuidado. Como um dos líderes naturais do time, ele sobrevive ao tsunami que nos atinge. Testado de mil maneiras. Desafiado. À sua frente, de repente, encruzilhadas nas quais não se distingue qual o caminho do bem. É bom contarmos com ele, nesta repaginação do grupo.

8. Guilherme Henrique me manda um recado duro: “Dalai, você poderia deixar o seu orgulho de lado e apresentar para a diretoria atual todos os erros cometidos no passado durante o planejamento do futebol do Cruzeiro (se teve, pois tenho muitas dúvidas…) ”

Quando as chapas foram inscritas, convocamos todos os candidatos para uma exposição aberta, franca, da situação do Cruzeiro: o que tínhamos feito, o que estávamos fazendo e o que não conseguimos fazer. Eleito o presidente, e como a posse se daria dias depois, franqueamos a ele, no dia seguinte, e passou a ser ocupada, ampla sala na sede administrativa da Timbiras, ao lado da nossa, para instalação dos seus primeiros assessores e o início de uma transição democrática, honesta, limpa, com chave de todas as portas.

Juntamente com o Conselho Gestor, estivemos sempre dispostos a falar, contar, revelar, debater. Sou Sócio Diamante e, neste QUINTAL, na medida do possível, procuro motivar a Nação Azul no apoio ao Cruzeiro. Mas concorde comigo: você só pode colaborar com quem quer receber colaboração.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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