Sem Brasileirão este ano.

  • por em 1 de julho de 2020

A data de hoje me assustou. Primeiro de julho! Entramos no segundo semestre de um ano que ainda não começou

A data de hoje me assustou. Primeiro de julho!

Entramos no segundo semestre de um ano que ainda não começou. Temos a partir de hoje, apenas seis meses para planejar e realizar todos os campeonatos que, a muito custo, se encaixam em doze meses. Alguns, como a Copa Brasil e o Mineiro estão em reta final e com algum esforço poderão talvez ser concluídos.

Sei que a CBF programa o Brasileiro para agosto, abrindo alternativas para os Clubes jogarem em outras cidades quando impossível o uso do campo do mandante.

Mas um país de dimensões continentais como é o Brasil, em plena pandemia mundial, onde somos lamentavelmente destaque negativo, realizar os campeonatos nacionais das séries A e B nas condições precaríssimas em que se encontram vários Estados, é no mínimo uma temeridade.

Como se sabe, nada há mais eloquente do que um fato. No caso, o fato é que além ou por causa deste isolamento forçado em que nos encontramos, empresas aéreas, hotéis, restaurantes e outros seguimentos afins estão em crise declarada. Muitos fechados, ou suspensos. Outros funcionando a meia boca.

A meu ver está faltando apenas coragem à CBF para tomar a decisão que será inevitável daqui a pouco, como ocorreu com outros eventos mundiais. Não há condições sequer razoáveis para os clubes encararem semanalmente viagens que demandam três, quatro, cinco horas de espera nos aeroportos. Tudo com máscaras e guardando o distanciamento de um metro do companheiro mais próximo.

O adiamento é péssimo para os clubes, que não podem adiar também os boletos! Tão pouco os salários que vencem cada vez mais rápido neste período em que, paradoxalmente, os dias custam a passar. Mas é inevitável, a meu ver.

Tudo será menos difícil de suportar, quanto mais cedo a CBF defina que não haverá o Brasileiro em 2020, liberando os clubes para planejarem, com todos os cuidados sanitários, a conclusão dos estaduais pendentes, bem como a Copa Brasil. Acho que apesar dos pesares, seria um alivio geral, com o fim das incertezas, abrindo imediatamente a readequação de compromissos financeiros, em especial os tributários que sufocam os Clubes.

Antes que venham as habituais pancadas (está querendo é fugir da Série B!), informo que em janeiro/fevereiro, os dois primeiros meses na presidência do Cruzeiro, quando nem sabíamos o que era Coronavirus, convoquei o nosso Marketing para um desafio: planejarmos um Cruzeiro na Série B de uma forma a ficar na história, mostrando pela primeira vez o que seria um time verdadeiramente grande, naquela disputa.

Desde aquele espetáculo gigantesco de apoio da torcida, em nossa Missa dos 99 anos na Igreja de São Sebastião, passei a imaginar qual seria a forma diferente, marcante, de disputarmos a Série B. Uma espécie de resposta do Clube a tanto apoio, no momento em que o Cruzeiro era mais assunto policial que esportivo. Minha ideia foi logo abraçada e melhorada por um ótimo profissional, o Max, do Marketing, e começou a tomar corpo. Era o seguinte: tão logo publicada a tabela dos jogos, e sempre com dois meses de antecedência, entrar em contato com comerciantes de brinquedos e utilidades da região em que iriamos jogar, pedindo a doação de material, em troca de publicidade em nossos sites.
Chegando à cidade, e em horário ajustado com a Comissão Técnica, grupos de jogadores tomariam as vans ou micro-ônibus também já contratados. O destino seriam as creches e orfanatos mais carentes.
Os jogadores distribuiriam os presentes, junto a brindes do Cruzeiro. Em cada sorriso daquelas crianças estaria plantada a semente de uma ideia de solidariedade que ultrapassa as quatro linhas do campo de futebol.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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