TORCIDA

  • por em 23 de setembro de 2020

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Cenas lamentáveis de torcedores chutando os portões da Toca-2 dominaram o noticiário esportivo ontem.

A gente entende a raiva, mas não pode aceitar a violência física, predatória. Além de não levar a nada, mancha ainda mais a imagem de um Clube que precisa ser reconstruído. O protesto é válido, necessário para apressar a reação, mas jamais com depredações.

Talvez nenhum clube brasileiro deva tanto à sua torcida, como o Cruzeiro. Para grandes males, grandes remédios e, assim, a absurda tragédia administrativa que nos arrasou encontrou na Torcida a sua cura. As organizadas e grupos avulsos se mobilizaram 24 horas por dia para monitorar a diretoria corrupta, acompanhando em cima os acontecimentos.

Em plena erupção do vulcão, com a renúncia de Zezé Perrela, assumi a presidência do Conselho Deliberativo e passei a ter linha direta com a Torcida. Eram tempos de guerra. Recebi apoio total.

A emoção cruzeirense acampou nas ruas. Envolveu a sede administrativa num colar de pressão até arrancar uma inimaginável renúncia.

Registre-se, para a História do Clube, que devemos isto à Torcida. E ela, através das Organizadas e grupos avulsos, merece toda gratidão, apoio e respeito. Sempre sem violência. Não é preciso depredar pra dizer que discordamos e que lutamos por reação.

BATE PAPO NO QUINTAL

1 – Sem razão, a coluna de ontem provocou raiva incontida em alguns atleticanos. A detida análise das críticas levou-me a uma conclusão inesperada. A palavra que mais irrita os atleticanos não é nem Hexa da Copa Brasil, nem Tetra do Brasileiro, nem Bi da Libertadores. É a síntese de tudo isto e muita coisa mais: Sala de Troféus. Três palavrinhas só. Mas como tiram atleticano do sério!

2 – Graças ao trabalho desenvolvido pelo presidente Felício Brandi, no longo período em que dirigiu o Cruzeiro (1961-1982), alunos de todas as escolas públicas do interior recebiam kit do Clube, com lápis, cadernos, livros, estojos, etc. Sementes abençoadas que germinaram nos anos seguintes. O programa foi um sucesso espetacular e, juntamente com o time dos sonhos montado na década de 60, assegurou ao Cruzeiro cerca de 70 % da torcida em Minas Gerais. Por isto e pelos títulos, ele é o Maior de Minas.  Independentemente deste fato, o Atlético é, hoje, o único mineiro disputando a Série A. No momento, então, ele está o Maior de Minas.

Simples assim. E sem ofensas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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