A CONTA DO CHÁ EM NATAL

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  • por em 15 de abril de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

A autoestima restaurada pelo clássico não viajou inteira para o Rio Grande do Norte e sofremos muito pra ganhar do América de Natal. Incrível que os mesmos 11 jogadores que fizeram partida exemplar contra o Atlético, domingo, não tenham se encontrado ontem, no primeiro tempo. Um jogo morno, com poucos lances decisivos, que segundo Felipe Conceição foi influenciado pelo cansaço e pela viagem longa. Pode ser. Mas as substituições, que de novo demoraram muito, deram nova cara ao time.  Outra vez, destaque para Rômulo que, nos 20 ou 15 minutos finais que sempre lhe são reservados, contribui mais que outros atuando 90.

Precisa ser esclarecido o real estado físico do jogador, que estava parado há nove meses, para que se saibam quais as perspectivas de uma atuação de jogo inteiro.

Agora a Nação Azul espera testes com Stênio e Nonoca, completando-se, o mais rápido possível, o Cruzeiro-raiz que, na minha opinião, já tem assegurados: Fábio, Weverton, Ramon, Cáceres, Adriano, Airton, Sobis, Rômulo.

Quais os outros três você sugere?

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Henrique Rodrigues Nunes sugere coluna extra em dias de jogos como o de domingo, “assim não se perdem a emoção e o calor do momento”.  Mas, meu caro Henrique, a emoção é má conselheira. Aí, não se perderia mesmo aquele clima, porém tudo o mais também seria um bonde sem freio… multiplicando-se as chances de escrever o que não devia. Imagina, já tropeço mesmo em condições normais de tempo e temperatura…

2. Gustavo Bianchetti, graduado em racionalidade e escrita diplomática pelo Instituto Rio Branco, disseca o jogo, sem part pris e sintetiza, lembrando que “Em clássico tudo iguala quando a bola rola. Lá são 11 contra 11 e, geralmente, quem tem mais fome ganha. ”

É isto mesmo. Há inúmeros exemplos de derrotas do favorito.

Depois, com luvas de veludo, toca em ponto sensível às emoções esportivas: segundo os comentaristas de arbitragem, houve dois pênaltis não marcados, um para cada lado. Mas o que seria favorável ao Atlético ocorreu antes, aos 40 minutos do primeiro tempo. Aí, a imaginação voa: marcado o gol, o Cruzeiro seria desestabilizado? Poderia tomar o segundo?

Óbvio que as variantes são muitas, inclusive defesa de Fabio.

Gustavo Bianchetti atinge o ponto com bisturi robotizado:

“Tivemos lances que interfeririam no placar. Para os dois lados, mas em momentos e circunstâncias diferentes do jogo. ”

3. João De Deus Filho, nosso guru da racionalidade, confessando – “Quando o Galo me decepciona, eu ouço Beatles e fica tudo ótimo de novo. ”

Excelente terapia, meu caro João de Deus, mas não seria prudente ir se acostumando também com os Roling Stones e Michael Jackson, pra variar um pouco?

4. Juliano Damien defendendo tese corajosa: não há mais “zebra” no futebol. Prevalecem hoje valorização tática e estratégia, tornando o futebol um tanto quanto “científico” um tanto quanto “jogo de xadrez”.

Juliano, acho que é isto mesmo, mas em parte. Há mais fatores envolvidos. Como explicar, por exemplo, que esse mesmo time que deu nó tático no Atlético, fez aquela exibição horrorosa contra o Coimbra, no primeiro tempo? Os mesmos 11 jogadores!

5. Jamicel, com toda razão, lembrando que domingo pela manhã, quando todos os prognósticos indicavam goleada contra nós, cravou Cruzeiro 2 x 1, inspirado no Imponderável F.C. Abençoada coragem!

6. TV Cruzeiro – as filmagens do pré-jogo contra o Atlético são imperdíveis. Você, que é cruzeirense, tem o dever e o direito de assistir, para conhecer mais uma inacreditável página heroica, imortal. O Universo começa a conspirar a nosso favor, no restaurante da Toca – 2, durante o almoço com convidados especiais: Gomes, Wendel, Leandro Guerreiro e Careca. Para extrema felicidade nossa, cada um conseguiu, com palavras simples, atingir ponto vital. Por exemplo: Gomes recordou o histórico vitorioso do Cruzeiro, razão para se tornar lenda. Leandro Guerreiro, mostrando o escudo da camisa, conclamou: “joguem pelo que está na frente, que o que está atrás vai aparecer. ”

No trajeto para o estádio, a filmagem mostra o interior do ônibus e é de arrepiar: Sóbis e Airton assentados juntos…

No campo, momentos antes do jogo, Fabio reúne os companheiros, abraçados, e não fala, grita, arrancando emoções até do gramado. Suas palavras deram comovente moldura para a coluna de Gustavo Nolasco, ontem, no Estado de Minas. Leitura obrigatória.

A espetacular e histórica reportagem da TV Cruzeiro é valiosa pelo que exibiu e, também, pelo que não apareceu: focou apenas nos verdadeiros heróis, os jogadores e a comissão técnica. A diretoria, com louvável prudência, desta vez não roubou a cena. Parabéns!

7. Augusto, pessimista, não vê progressos no Cruzeiro e acha que o Atlético não irá muito longe. Ambos por ruindade explícita. Meu caro Augusto, desculpe-me, mas vou discordar. O Cruzeiro melhorou e não foi pouco. Enfrentou uma equipe normalmente integrante da lista dos cinco melhores brasileiros, fez marcação alta, anulou as principais jogadas do adversário, ganhou a maioria das divididas e mostrou um entrosamento até então não visto em campo.

8. Teobaldo, atleticano filiado à escola clássica da racionalidade, de João De Deus Filho, cumprimenta os cruzeirenses deste QUINTAL e recebe justo retorno, entre outros, de JCSR e Paulo Dias M Oliveira. Pouca coisa dá mais alegria aqui do que o reconhecimento de que somos adversários. Não inimigos.

9. Fabricio, Paulo Fialho e Daniel Alves Guimarães enfocando com propriedade o promissor momento de nosso time. Acho que, finalmente, estamos encontrando o caminho.

10. Galo Doido New York, nocauteado domingo à tarde, manteve 48 horas de ensurdecedor e preocupante silêncio. Reanimado, reapareceu neste QUINTAL, ainda longe de suas condições ideais: frases desconexas, misturando cachorro morto com Mãe Dinah, bêbado e o Papa João Paulo II.

Calma. Isto passa.

Sabendo a causa, a gente nem fica muito preocupado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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