50 ANOS DE BULLYING

  • por em 24 de outubro de 2020

Arquivo Estado de Minas

Desde a abertura deste democrático QUINTAL, onde não se bloqueia ninguém e a palavra é literalmente livre, venho recebendo pedradas e pancadas de todos os lados. Atleticanos, pelas gozeiras de sempre. Cruzeirenses me atribuem a perda dos seis pontos da FIFA. Ignoram os esforços feitos desde janeiro, em pleno Corona-Wagner, até a chegada do COVID-19, passando pela queda de procura dos nossos jogadores antes ocupantes de cobiçada vitrine, até a solução final que era um empréstimo praticamente acertado com instituição bancária.

De minha casa, onde estava em confinamento pelo Coronavírus, recebi a informação de que tudo estava acertado. Passei a boa nova para os torcedores. Na última hora, o que era sim, virou enrolação. Sem tempo para plano C ou D. Lamentável, sob todos os aspectos, mas agora em nada ajuda chorar leite derramado ou procurar culpados para apedrejarmos. Seja pelos 6 pontos da FIFA, seja pelos 23 pontos que jogamos no lixo para CRB, CSA, Sampaio Corrêa e outros.

Além dessas bordoadas, há também as desferidas por quem me julga responsável, como vice-presidente, pela omissão do Conselho Deliberativo, então presidido por Zezé Perrella.

E outras, pela exclusão considerada apressada dos conselheiros remunerados. Quase coincidindo com a chegada de Cabral ao Brasil, os ex-conselheiros conseguiram uma “liminar”… E ela permanece respeitada até hoje, pelo Cruzeiro, como se fosse decisão final transitada em julgado…

Num País em que liminares caem toda hora, esta vem permanecendo como enigmática exceção…

Assim, pedradas, pauladas, bordoadas, você até vai se acostumando.

Mas há dias recebi um golpe de esgrima desferido pelo atleticano Udi Stamps. Sem razão aparente, ele deixou de lado as pedras, que vinha lançando há meses, pegou uma espada e touchè!

Linguagem acadêmica, manipulando com habilidade palavras e fatos, concluiu que os alardeados 50 anos de domínio cruzeirense, com direito a bullying, não passam de 20 ou 30. 

De cara nos “rouba” 10 anos, ao cravar que a nossa supremacia teria começado em 1970.  Mas como? Se nos anos 60 o Cruzeiro tinha “apenas” Tostão, Dirceu Lopes e Piazza no seu plantel? É desta década a goleada histórica de 6×2 contra o Santos de Pelé, vitória depois confirmada em São Paulo, de virada, por 3×2 e que nos deu uma das mais extraordinárias Taça Brasil.

Felício Brandi, que começou a transformação do Cruzeiro em time do mundo, iniciou sua gestão de 20 anos ininterruptos em 1961. Uma de suas mais inspiradas iniciativas foi enviar a todo estudante de escola primária em Minas Gerais, no início de ano, um kit contendo lápis, cadernos, estojos, réguas, etc, com as cinco estrelas, o que se transformou em sementes da imensa torcida que o Cruzeiro tem no interior, calculada em 70%. Não se sabe hoje, mas o segundo lugar oscilava entre Flamengo e Corinthians.

De 1960 para 2020 são 60 anos. Mas estamos tirando 10 e cravando apenas 50.

Utilizamos assim só a metade do título que nos foi outorgado pelo Instituto de Pesquisa e História do Futebol, instalado em Bonn, Alemanha, reconhecido pela FIFA: MELHOR CLUBE BRASILEIRO DO SECULO 20!

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Ontem, nas comemorações dos 80 anos de Pelé, o maior atleta do século, foi lembrada em várias reportagens a Taça Brasil de 1966, vencida pelo Cruzeiro, contra Pelé e Cia. em duas partidas inesquecíveis. Um marco indiscutível, anos 60, para o início da supremacia azul em Minas.

2. Se ainda não aconteceu, está passando da hora a revogação da absurda convocação de eleição de natos para o dia 5 de novembro.

Medida inoportuna, suspeitíssima e que é um flagrante contrassenso no momento em que cruzeirenses de verdade se agregam na reconstrução do Clube.

Prioridade é a divulgação dos projetos apresentados de reforma do Estatuto para debate e posterior votação; Prioridade é o enfrentamento da questão dos conselheiros afastados: descer do muro e ter a coragem de assumir uma posição clara.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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