CARTÃO DE CRÉDITO AZUL PARA NEY FRANCO

  • por em 10 de setembro de 2020

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Tenho a honra de participar de dezenas de grupos sociais cruzeirenses, e como muitos integrantes são rápido no gatilho, bastou sair o “furo” da contratação de Ney Franco, para surgir uma saraivada de críticas. A Internet colocou em nossas mãos uma metralhadora giratória de alcance infinito. Às vezes acionamos o gatilho com a rapidez que um cavalo dá um coice, quando cutucado na virilha: pelo instinto.

Esta é, aliás, a principal causa dos crimes cometidos em discussões no trânsito. Xingamos na hora e raciocinamos depois. “Tomou uma fechada horrorosa, conte 1-2-3 antes de soltar o palavrão”, aconselham os psicólogos. Neste segundinho de tempo, o raciocínio domina o instinto, você liberta um meio sorriso crítico de reprovação e segue seu trajeto, que não será mais o IML ou a cadeia.

Com esta paixão avassaladora que é o futebol acontece a mesma coisa quanto a liberação dos instintos. Muitas vezes, sem qualquer ponderação, disparamos logo um monte de críticas, que repassadas, viram dezenas de milhares.

A escolha de Ney Franco foi inicialmente gongada em vários grupos. Ressurgiram as eternas “viúvas” de Marcelo de Oliveira, esquecendo que ele já perdeu prazo de validade. Foi espetacular no Cruzeiro, ganhou títulos inesquecíveis. Depois, foi perdendo pouco a pouco a garra de vencer. Se tivéssemos percebido um pouco antes, não teríamos dado de bandeja a Copa do Brasil para o Atlético.

Alguns, imagine-se, queriam Mano Menezes de volta! Devemos muito a ele, inclusive dinheiro que ele agora cobra na Justiça. Foi maravilhosa a sua passagem pelo Cruzeiro mas, como nós, não resistiu ao tsunami Wagner/Itair e restante da quadrilha. Nos últimos jogos parecia que ele, na beira do campo, olhava o jogo, mas realmente não via. Ou não queria ver.

Diz a sabedoria popular que não devemos exercer de novo funções nas quais, tempos atrás, fomos extremamente felizes. Nunca será igual e sempre nos arrependemos. Vide Felipão na Seleção Brasileira. Claro, há o caso Givanildo-América.  Mas essa é a incrível exceção que confirma a regra geral.

Ney Franco, com a entrevista concedida à imprensa, reverteu a onda contrária. Seguramente, passou a ter o apoio da maioria da China Azul. A esperança é a de que, com os mesmos ingredientes, só alterando dosagem e posições, consiga dar ao time a liga que está faltando até agora.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Graças ao conselho de atleticanos amigos, economizamos Rivotril ontem à noite. Com a camisa do misto do Santos, vencemos por 3 x 1.

2. Gozeiras à parte, obrigado a você que tem dado honroso retorno a esta coluna, tendo a coragem de postar a sua opinião, valiosíssima tanto a favor como contrária. Cruzeiro e Atlético são adversários. Não inimigos. E sempre lembrando: tenho três filhos maravilhosos. Um deles, que estudou em Cambridge e em Lisboa, é atleticano. Claro, paguei psiquiatra por muito tempo, mas não adiantou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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