COCHILO DE 5 MINUTOS

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  • por em 3 de maio de 2021

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Uma partida tem 90 minutos e o Cruzeiro se esqueceu disso aos 40 do segundo tempo. Foi uma pena, porque até então o time estava merecendo vencer. Bem plantado em todas as linhas, com toque de bola, jogadas em profundidade, enfim o tão reclamado entrosamento. Se o primeiro tempo terminasse em 3 a 1 para o Cruzeiro, ou 4 x 2, não seria exagero.

Na etapa final, a saída de Sóbis, por cansaço, de Adriano por contusão e a de Bruno José por opção, foram três das causas da virada. Outras causas: Jadson, Mateus Neris e Pottker. Entraram e parece que nós passamos a jogar com menos 3. Prova disso é que o América alugou meio campo. Jadson tomou cartão amarelo na primeira vez que tocou na bola. Mateus Neris só apareceu provocando o escanteio que resultou no primeiro gol do América. E Pottker foi um ausente de luxo. O que se conclui é que precisamos de banco. Se a tarefa de Felipe Conceição há alguns meses era organizar um time, e ele conseguiu, agora o desafio é formar um banco de reservas.

Em resumo, com os titulares, o Cruzeiro mostrou um time que dá esperanças. O primeiro gol foi uma pintura: lançamento longo de Cáceres para Bruno José na direita, ele passa por dois na linha de fundo, levanta a cabeça, vê a aproximação de Sóbis e rola pra ele fazer um gol de quem sabe.

Com as substituições tomamos em cinco minutos o que se chama de “dois gols bobos”: o primeiro, com a velhíssima jogada de escanteio batido no primeiro pau, seguindo-se desvio de cabeça: no segundo, o pecado de marcar em linha, pedindo pra tomar bola nas costas.

O América foi um grande adversário e soube aproveitar os descuidos de quem passou a tomar conta de nosso meio campo. Teve o que não tivemos: sorte nas substituições.

Sempre lembrando que sorte é a coincidência de oportunidade com capacidade.

Perdemos o campeonato? Quem responde é o técnico Felipe Conceição:

“Estamos vivos. E vamos aprender com os erros. ”

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Protesto Histórico – 12h de domingo. Era apenas um jogo que poderia decidir o campeonato inglês –  Manchester United x Liverpool, no Old Trafford.  De repente, antes do início, milhares de torcedores ingleses invadem o estádio, arrancam até as bandeiras de escanteios, portando faixas com frases tipo “Fora família Glazers”, grupo econômico que em 2005 “comprou” o United e que vinha liderando a criação de uma fracassada nova liga de futebol europeu.

Confesso que há muito tempo não via, no futebol, nada tão impressionante. Nestes tempos estranhos em que, mais do que nunca, o dinheiro compra tudo, o protesto represado há 16 anos e explodido ontem tem a ver com a alma de um Clube. O sentimento. Esta coisa intangível, indefinível, que as vezes nos leva ao absurdo de confundir família, interesse pessoal, amigos, com o Clube. Que arranca sorriso ou lágrimas por dores e alegrias que só nós sentimos e ninguém mais entende. Que, de repente, acaba com um domingo. Ou faz sol brilhar à noite. É de arrepiar. Isto não se vende, porque não tem preço.

E se vender, a gente não entrega como fizeram ontem os torcedores do Manchester United.

2. Sem Paciência, negando favorecimento da FMF ao Atlético, observa que foi o próprio Tombense quem solicitou “jogar no Independência por questão financeira…” Deve ser mesmo. Mas pra mostrarem que a Federação nunca abandona o Atlético trataram logo de arranjar aquele pênalti-nota de três.

3. Jamicel, corajoso, desafia a sabedoria universal que recomenda nunca voltarmos ao lugar em que fomos excepcionalmente felizes, pois jamais será igual. Após escrever aquele texto que continua emocionando a Academia Brasileira de Letras, Jamicel retorna à arena, com vara curta: “… não adianta explicar aos adeptos do time de Vespasiano que ser e estar, apesar do mesmo tempo verbal, possuem significados diferentes. ”

E dá tiro de misericórdia: “um pato não é um cisne”.

4. Sem Paciência-2 sentindo a estocada de Jamicel, traído pelo subconsciente revida rápido no gatilho: “Que linda nova fábula mariana da lavra de La Jamicel! ”.

Convocado em emergência, Freud explica: Na referência a La Fontaine, vestígios de admiração oculta que o consciente, impaciente, teima em negar.

5. Stop Online AbusePare com os abusos on line.  Por três dias, atletas ingleses cancelaram as redes sociais em protesto contra os absurdos atirados no ventilador universal. 

Um dia essa reação chega aqui. Há pouco lembrei neste QUINTAL o antigo programa Balança mas não cai, figurando moradia vertical popularíssima em que os vizinhos conversavam entre si, pela área interna, sem qualquer pudor, sendo ouvidos por todos. É o que ocorre hoje nas redes sociais. Balas perdidas, em forma de palavras.

6. Animador scout deste minifúndio revela que dos seus 72 mil leitores, 30% são mulheres. Quero agradecê-las pelo voluntário sacrifício e homenageá-las na pessoa de uma guerreira que nunca foge à luta: Beth Makennel Makennel.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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