EDIFÍCIO BALANÇA MAS NÃO CAI

  • por em 7 de abril de 2021

Reprodução / Globo Comunicações e Participações S.A.

Nos anos 60, ficou famoso um genial programa da Globo, com esse nome, focando a área interna de um imenso condomínio popular em que empregadas domésticas e patroas conversavam aos gritos, livremente, com moradoras de andares superiores ou inferiores, muitas vezes revelando fofocas de outros vizinhos. Todo mundo escutava. Não demorava e os ofendidos revidavam, armando-se costumeiro barraco, um berreiro infernal em que o alvo era xingar e desmoralizar ao máximo.

Meio século depois, o inesquecível programa, sorrateiramente, instala-se em nossos celulares, com áudios e vídeos de alcance mundial. Vivemos num condomínio imenso, literalmente habitado por todos os moradores da Terra conectados à Internet, cuja senha de ingresso é o nosso e-mail, Instagram, YouTube, WhatsApp. Clicamos e num átimo passamos a ocupar, por exemplo, a sacada interna do apartamento 1.123.436. De onde os demais condôminos podem nos ver e ouvir. Se você reclamar da demora do delivery, todos os bilhões de não destinatários da mensagem terão fácil acesso a ela, podem até criticar o seu gosto culinário, caso queiram. Nem mesmo línguas diferentes são problema, porque temos tradutor instantâneo. Não mais haverá Torre de Babel.

Toda esta conversa pra pardal mudar de galho destina-se a tornar mais palatável meu lamento pela forma com que estamos tratando o caso Cacá. Como se a gente precisasse de mais problemas, estamos conseguindo transformar grão de areia num tsunami. Aceitamos discutir o problema na área interna do “Edifício Balança Mas não Cai” e, agora, estamos sob o julgamento de um imenso júri popular. Sem resolver ou minorar o problema.

Mensagens lançadas num grupo social, em sua maioria, jogam para a arquibancada. Almeja-se “ficar bem na foto” (se possível desmoralizando o opositor). Bolas para o debate honesto, consciente, da questão.

Temas de interesse público, de uma torcida ou classe social, quando envolvem comportamento de pessoa, juízos de valores subjetivos, devem ser debatidos com discrição pelo comandante e, posteriormente, comunicados ao público por meio de nota oficial, quando ajustadas internamente as pendências e aparadas as arestas.

A autoridade de um líder, o respeito natural, espontâneo, que deve despertar e estimular, sempre se apequenam com bate boca no “Balança mas não cai”.

BATE PAPO NO QUINTAL 

1. Temos encontro marcado, nesta tarde. Sabemos local (Independência), horário (17h30) e adversário (Coimbra). Só não sabemos quem estará conosco, grudado no coração: esperança, confiança, angústia, decepção? Vamos ver de novo aquele time horroroso, que não sabe trocar três passes em sequência, nem chutar a gol com um mínimo de eficiência? Ou estará em campo o esboço de entrosamento, agora mais nítido, que pudemos identificar em alguns flashes de Sóbis e Rômulo? E as mudanças? Sabemos que na zaga é obrigatória, pela suspensão de Manoel.  Tomara que Weverton, apesar de seus 18 anos, ou por causa deles, entre e tome conta do pedaço. Se está na seleção brasileira da base, não é por acaso. Que em outros setores haja também coragem de mudar: Stênio, Marco Antônio e Nonoca estão pedindo passagem.

2. Beth Makennel Makennel, a expectativa é que o nosso técnico Felipe Conceição tenha lido seus comentários na última coluna. A conferir no jogo desta tarde.

3. Marcelo, lúcio soares e JCSR valorizam este QUINTAL com análise objetiva, fria, técnica de nosso time. Uma incógnita. Do jogo de hoje   quais lições ou expectativas vamos tirar? A sabedoria popular ensina: não se deve gastar vela com mal defunto.

4. Jamicel conseguindo ver evolução no nosso. Que o jogo de hoje te consagre como o melhor comentarista azul deste QUINTAL

5. Rei Melo representando a grande turma que vê o copo meio vazio, está pessimista.  E explica suas razões. Gostaria, mas não consigo dizer que está equivocado. Como a esperança é a última que morre, peço que você me ajude a aplaudir Jamicel caso o Cruzeiro consiga, finalmente, jogar futebol hoje à tarde.

6. Galo Doido New York e Sem Paciência exercitando a diversão favorita, que é zoar os cruzeirenses. Aproveitam nossa fase horrível para descontarem um pouquinho do tanto que sofreram nas nossas mãos nestas últimas décadas. A gente batia forte, confesso.  E eles não esquecem. É a vida. Mas a roda gira!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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