FAKE DE TSUNAMI

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  • por em 13 de abril de 2021

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Na semana que antecedeu o clássico, condôminos atleticanos deste QUINTAL organizaram um Gabinete do Pânico atazanando a vida dos cruzeirenses. Confesso que fiquei apavorado com as previsões de goleada. Passei a me preparar para aceitar como “vitória” derrota de até dois gols de diferença. O medo maior era o de Cuca aproveitar a cerca fraca pra tirar espinho antigo da garganta: nos devolver os 6 x 1 que tomou em Sete Lagoas, em 2011. Este tsunami era o pior cenário para o domingo e, se viesse, já tinha encaminhado um pedido de “recesso emocional”. Não teria como escrever por uma semana.

Às 11 da manhã conseguimos enganar a ansiedade com o Flamengo e Palmeiras decidindo a Supercopa. Depois, foi só esperar. Anunciado o time, não gostei. Era o mesmo que começou contra o Coimbra e que só melhorou com as mudanças no segundo tempo.

Queimei a língua. Parecia outra equipe. Determinada. Nem reconheci os jogadores. Ganhando divididas. Acertando passes. Encarando de igual pra igual o time de 200 milhões de reais e que já havia nos goleado antes do jogo começar!

Por mais incrível que pareça, o nosso gol nasceu de uma pintura de entrosamento: Fabio repõe a bola com as mãos para Weverton, no lado direito da grande área. O jovem zagueiro faz lançamento longo, em diagonal, visando Airton do outro lado do campo e a bola sai. Guga bate o lateral e a bola sobra para Nacho Fernandes, de quem é roubada por Mateus Pereira que tabela com Sobis. De primeira, ele toca na frente para Airton. Golaço.

Este Cruzeiro que jogou contra o Atlético subiria para a Série A, ano passado.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. JCSR, na manhã de domingo, corajoso, sem meias palavras, sem jogar conversa fora, postou seu palpite: Cruzeiro 1 x 0. Fantástico!

2. Galo Doido New York no meio da semana havia tomado o chá de Santo Daime e fez prognósticos altamente inflacionados para o jogo de domingo. Reclamei e ele se defendeu assim:

“Caro blogueiro, o chá que tomei foi o da razão… Qualquer placar menor que 7, será ZEBRA… O que já era ruim para o LPL (lado pobre da lagoa) ficou pior ainda sem o PEREBA menos ruim da zaga…”

No fim da tarde de domingo, consumado o desastre e em razão da solidariedade que une os conterrâneos do Alto São Francisco, acolhendo até mesmo os dorenses, telefonei a Mãe Dinah e imediatamente ela acalmou o nosso condômino, filosofando em grande estilo: “Tirando o trocador e o motorista, tudo é passageiro…”

3. Luiz Antônio Lopes Barcelos lembrou domingo de manhã, antes do clássico da tarde, de lamentável episódio na década de 70, envolvendo Toninho Cerezo. O Atlético tinha um excelente time, com Reinaldo, Eder e Luizinho, além do próprio Cerezo. Após ganhar por 1 x 0 o primeiro jogo da melhor de três que decidiria o campeonato mineiro, Cerezo aconselhou os cruzeirenses a esquecerem o futebol enquanto o Atlético tivesse aquele time. Eu mesmo ouvi essa declaração e nunca esqueci. Acho que os nossos jogadores também não, porque ganhamos o segundo jogo por 3 x 2, e o terceiro por 3 x1, com histórica atuação de Joãozinho e Revétria.

Meu caro Luiz Antônio, domingo último a roda girou e sem que nós mesmos esperássemos, acabamos assistindo a um “Vale a Pena ver de Novo”!

Sem dúvida, você teve uma bendita premonição.

4. Atleticano chato dando apoio a Manoel que não estaria recebendo o que lhe foi prometido…

Por favor amigo, ainda que Manoel tivesse razão, isto justificaria treinar a semana toda ocupando a zaga e, na véspera do clássico contra o Atlético, informar, com contrato em plena vigência, que não mais jogaria no Cruzeiro?

5. Manoelada-2. Curioso como a vida, de repente, nos surpreende com caminhos inimagináveis. Por decisão própria, em 24 horas, Manoel deixou de ser herói para tornar-se desertor.

6. Manoelada-3. Durante mais de 20 anos de magistério em todas as oportunidades que surgiam lembrava aos meus alunos o que sempre lembrei aos meus filhos: o nosso cotidiano é essencialmente descolorido, comum. Você não tem chance de mostrar verdadeiramente quem é. Levantamos, saímos, trabalhamos, voltamos, dormimos. Anos a fio. De repente, o acaso, as circunstâncias imprevistas, o inimaginável, nos desafiam a comprovarmos quem somos realmente.

Um homem ou um rato.

7. Imponderável F.C. Como até o porteiro do meu prédio sabe, tenho a honra de participar de mais de 40 grupos sociais cruzeirenses. Vários me perguntaram como eu poderia saber que o Imponderável entraria em campo domingo?

Eu não sabia. Pressentia.

A propósito: Marcinho saiu aos 20 minutos do segundo tempo. Nacho, que deu passe de “meio-gol” para Vargas, provocando sensacional defesa de Fabio, ficou o tempo todo. Quem foi mais útil ao seu time? A diferença de valor de mercado esteve em campo?

8. Atenção: está disponível, gratuitamente, assistência psicológica para quatro dos mais brilhantes condôminos deste QUINTAL e que sofreram domingo à tarde fundo abalo emocional: Galo Doido New York, Sem Paciência, João de Deus Filho e peppeu. Pelos sintomas revelados, o diagnóstico dos especialistas é “Choque por Reversão de Expectativa”. Tem cura, que começa por manter os pés no chão.

9. Cruzeiro já está em Natal, no Rio Grande do Norte, onde enfrentará o América, amanhã, às 21h30, pela segunda fase da Copa do Brasil. Agora, empate leva à decisão por pênaltis. Temos de repetir o mesmo futebol solidário e de entrega apresentado domingo.

10. AVISO À BANDIDAGEM: A extraordinária vitória do Cruzeiro sobre o Atlético é mérito da Comissão Técnica e jogadores. Não anistia as infrações cometidas, a manutenção dos aspones e nem fará tampar sol com peneira.

11. Marcelo, lúcio soares, Dalva Paz, Rei Melo e William enriquecem os comentários pós-jogo. Estamos sim, felizes como pinto no lixo, mas sem nos esquecermos de que foi apenas uma partida. Temos consciência de que o Atlético está, sim, superior ao Cruzeiro em vários itens. E que precisamos ainda melhorar bastante.

Mas que foi uma espetacular arrancada, isto foi!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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