IMPONDERÁVEL F.C.

  • por em 20 de fevereiro de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

O conhecimento humano, como sabemos, é dividido entre Ciências Exatas e as demais. Nas primeiras incluem-se, entre outras, matemática, física e química, todas com um denominador comum: exatidão de cálculos, pela imutabilidade dos fatores e de seus derivados, em suma, previsibilidade.

No outro grupo pontificam a sociologia, filosofia, psicologia e dezenas de ramificações, também com um denominador comum: a imprevisibilidade.

Para azar dos atleticanos, o futebol está no segundo grupo. Se estivesse no primeiro, 200 milhões de reais comprariam o título de campeão brasileiro e hoje seria uma festa só, lá pelos lados de Vespasiano.

A sedução do futebol está na sua imponderabilidade. Temos assistido jogos, até de times mineiros, em que 80% de posse de bola e 30 ataques improdutivos, viram pó ante um único chute do adversário, convertido em gol.

Desculpem-me, cruzeirenses e atleticanos, mas vou praticar neste QUINTAL o que jamais admiti como Procurador ou como Magistrado: nepotismo. Quero, sim, proteger meu filho. Embora advogado bem-sucedido, livros publicados, cursos em Cambridge e Lisboa, apesar de toda esta qualificação, é atleticano. Sem êxito, gastei bom dinheiro com psicólogo. Conformei-me, finalmente. Mas agora me preocupa a confiança dele com a farra de investimentos do seu time. Está pronto pra sofrer outra vez. Milhões de reais se convertem rápido em milhões de esperanças. Se Hulk recebe um e meio, é justo colocar dois, todo mês, na mão de Nacho. Em plena construção do Estádio. Tudo em nome da felicidade.

Meu filho, não jogue todas as fichas nesse sonho. Ponha freio na esperança. Lembre-se do Imponderável F C. que sepultou a Selegalo. Lembre-se de manadas de cavalos paraguaios. Aceite que futebol não é ciência exata e, por isto, em campo, Marcinho pode render mais para o Cruzeiro, do que Nacho Fernandez para o Atlético. Quem assegura que não? Certamente, só o Milton Neves.

É evidente que Clubes investidores, com bala na agulha, têm mais chances de conseguir títulos. Esta é a regra geral, mas as exceções estão cada vez mais atrevidas.

Meu filho, confie. Mas desconfie.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Cruzeiro e Bolívar fazem jogo treino nesta manhã, 10 hs na Toca 2. Contra o Atlético foi 3 x 1, com três gols de Tardelli. A paixão cruzeirense exige vitória maior. Mas a razão manda ter calma. Nosso primeiro teste, após três treinos coletivos. Vários jogando juntos pela primeira vez. Nem investimos 200 milhões nem estamos com o mesmo time há um ano.

2. Nacho Fernandes x Marcinho. Injustamente estou sendo acusado pelo que não fiz: comparar os dois incomparáveis volantes. Nacho veio do River, por 32 milhões. Marcinho estava no Sampaio Correa. Em dinheiro, diferença abissal. Mas, e no campo, 11 contra 11?

Quanto bonde errado já tomamos nesta vida!

3 Rodrigo Rosa, nosso “Consul” em Guaçuí-ES, com um feeling extraordinário já identifica em “dois amigos atleticanos roxos” uma discreta pisada de freio. Já começam a pressentir nuvens manchando o céu que era de brigadeiro há seis meses. Neste QUINTAL isto também pode ser constatado. A meteorologia começa a assustar o Atlético.

4. Jorge, sem segundas intenções, em retiro espiritual desde que foi para o brejo mais um sonho de Brasileiro, levanta, sacode a poeira e quer dar a volta por cima, como se nada tivesse acontecido. Restaura o olhar de paisagem e retoma o ataque ao flagelado Cruzeiro. Cuidado, Jorge. Por mais incrível que pareça, há um sopro de esperança impulsionando o avariado barco celeste. E sinais de trincas, ainda discretos, no casco do encouraçado atleticano.

5. Rei Melo, como sempre, você tem razão em quase tudo. A situação do Cruzeiro continua preocupante. Uma minoria de conselheiros sanguessugas predomina sobre os que só visam o interesse do Clube. Como foram eleitos, não podem sair por atos administrativos. Assim também os contratos. O de Rodriguinho, desconhecido até então, é uma das maiores aberrações que podem ser cometidas contra uma entidade, representada no ato pelos próprios malfeitores. Rei Melo, não podemos atenuar nossa revolta, mas o momento é de apoiar a reconstrução, SEM BAIXAR A VIGILÂNCIA!

6. João de Deus Filho louva os debates em alto nível neste QUINTAL e lamenta a ocasional invasão de cobras e lagartos.

João, biodiversidade faz parte da vida.

No mérito, repete o de sempre: sapateia sobre a situação do Cruzeiro mas prega a tolerância porque afinal todos têm um amigo ou parente torcendo pelo rival. Confessa que o seu melhor amigo é cruzeirense e com isto acabou me dando de bandeja o tema da coluna de hoje: um recado para meu filho atleticano.

7. Afonso Lemos, tal como eu, apostando na reconstrução do Cruzeiro. Questão de tempo, de lógica, de tradição, de histórico, de raça, de força, de imposição e mais um monte de coisas.

8. Juliano Damien destacando que neste ano, ao contrário do que passou, o Cruzeiro tem planejamento, linha de trabalho e ações coerentes. Isto realmente é o que estamos sentindo agora. Tomara que vaidades, egoísmos, achismos idiotas, aspones não interfiram no trabalho técnico. Aborda, ainda, uma frustração recorrente em todos nós: Rogério Ceni deveria ter sido mantido. Penso assim também, sem desconhecer, porém, que ele revelou inaceitável incompetência em dominar o vestiário.

9. Galo Doido New York pega pesado e me compara com o piloto Satoro Nakajima, japonês desastrado que só fazia lambanças na pista, quase enlouquecendo Piquet e Ayrton Sena. A 300 km/hora tinham de escapar das barbeiragens dele.

Aqui, pelo menos, ninguém está correndo tanto.

Nas entrelinhas, porém, não só do que escreve Galo Doido, mas também quanto aos demais condôminos atleticanos deste QUINTAL, pressinto uma ponta de frustração esboçando bandeira vermelha. Sonharam muito alto. Arriscaram como milionários de férias em Las Vegas.

E pra quê? Nada!

Em novo e sintomático ato falho, Galo Doido adverte o colunista, mas em verdade, no subconsciente, está mandando um S.O, S à massa atleticana:

“Psicólogos dizem que o prelúdio do fim é pior do que o ato em si”!

Sou mesmo o destinatário, ou é mensagem cifrada aceitando que o sonho acabou?

10. Jamicel, cirúrgico, descreve hoje o amanhã do Atlético. Concordo plenamente e alguns rivais também. Como disse acima para o Galo Doido, eles, nas entrelinhas, admitem o “fim do baile”!

11. guioday rodrigues posta duro “contragolpe” à coluna e o propósito é detonar o entusiasmo azul com este princípio de reconstrução. Porém, como não consegue tampar sol com peneira, guioday, na contramão, carteira vencida, excesso de velocidade, atropela criança atravessando na faixa: para contrapor a observação de que a Globo, excepcionalmente, privilegiou o Cruzeiro-Série B, colocando seus jogos na quarta-feira, com transmissão direta no canal aberto, o que faz guioday? Retruca ipsis literis:

“O Galo foi um dos times Serie A com mais transmissões Tvs aberta e fechada. NORMAL (assim, com maiúsculas!)

Tradução do “cochilo”: guioday admite que o Cruzeiro-Série B, até quanto ás transmissões abertas, faz frente ao Atlético.

Mas não parou aí. Fugindo do flagrante, guioday entra na ciclovia e atropela ciclista ao “comparar” as transações de Rodriguinho e Nacho.

Que vacilo!

A nossa criminosa compra do passe de Rodriguinho foi feita em sigilo pela quadrilha que tentou acabar com o Cruzeiro. Qualquer cruzeirense responsável seria radicalmente contra, se soubesse.

Com o Atlético, após “queimar” 200 milhões com um time que só disputa o Brasileiro e ficará em 4º. ou 5º. lugar, anuncia a compra de mais um jogador por uma fortuna ante nossos padrões. O técnico que pediu a contratação está com malas prontas pra sair da Cidade do Galo…

Qualquer semelhança com Casa de Mãe Joana não é mera coincidência.

Dá pra comparar as duas transações?

Mas guioday e outros atleticanos preferem festejar no Baile da Ilha Fiscal.

12. Irmãos Gamer e William colocando Cruzeiro e Atlético em seus devidos lugares. No campo das conquistas, prestígio nacional e internacional são mesmo incomparáveis. Os atleticanos estão começando a aceitar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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