JÁ TEMOS UM TIME?

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  • por em 27 de abril de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Pode ser que ainda não, mas acho que encontramos o caminho e isto já é vantagem. Esse rumo a ser seguido passa obrigatoriamente pela base que jogou domingo, óbvio que entrando Sobis. Falta ainda sermos apresentados a Marco Antônio, nesta fase, e o encaixe de Stenio no lado direito, mantendo-se Airton na esquerda. A verdade é que com Rômulo parece que as coisas ficam menos difíceis.

A evolução dá sinais, também, em forma de escanteios e faltas bem batidos. É o mínimo que a Nação Azul esperava, assim como as trocas de passes pra frente, positivas, mantendo o adversário o máximo possível em seu campo.

Em razão do parcial desmanche que sofreu, o Patrocinense não pôde oferecer a resistência que seria de esperar em outras condições, mas, ainda assim foi um bom teste.

Agora é burilar algumas peças para melhor encaixe, treinar, treinar e treinar. Com Pottker continuando a nos surpreender.

E enfrentar o América.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. JAMICEL – Sempre gostei de escrever, embora, para tristeza dos raros leitores deste QUINTAL, nunca aprendi realmente. O que sei, e tenho orgulho disto, é reconhecer como ninguém duas coisas: pinga boa e texto bem escrito. Da pinga, conforme o momento, basta um gole, já sei qualidade da cana e quando foi colhida. Do texto, nos primeiros períodos, identifico um injustiçado da Academia Brasileira de Letras. Embora muitos condôminos estejam em estágio probatório para indicação à Academia, a coluna anterior trouxe um texto que é passaporte direto para a Champions da Literatura, onde já estiveram Fernando Pessoa, Machado de Assis, Eça de Queiroz e Guimarães Rosa. Jamicel estava ausente há algum tempo, deste QUINTAL, e agora podemos imaginar que se entregava por certo à meditação budista, lapidando frase por frase da obra prima que se consumaria ontem. Em dez linhas, sintetiza um compêndio sociológico sobre a relação secular de amor e ódio entre cruzeirenses e atleticanos.

Ruflem os tambores! Ecoem os clarins!

Abram alas para a escultura filosófica do futebol mineiro, talhada com o bisturi de um mestre da escrita:

“Lembro-me dos áureos anos 90, nos quais um personagem muito conhecido da criançada vivia em um mundo paralelo, numa realidade que só existia na nem tão pequena cabeça do personagem.

 Assim é o atleticano: reverte a lógica, a matemática, a coerência e a coesão do discurso; não adianta. Podem comprar um time, construírem um estádio. Na catarse freudiana, condenam aquilo que já foram, mas nunca serão aquilo que desejam ser, ou seja, o multicampeão CRUZEIRO! ”

In claris cessat interpretatio.

2. Antonio Tonidandel, magistrado aposentado, que se notabilizou pela retidão de caráter, joga luz nas sombras que envolvem altas transações da cúpula atleticana. Torcemos para que, sem muita demora, doendo em quem doer, tudo se esclareça tanto no Atlético quanto no Cruzeiro. A sabedoria antiga definia situações assim, com frase lapidar: ”debaixo deste angu tem carne”.

3. Ulisses querendo tocar terror em cima da gente:

“Te pergunto, se não passarem pelo América, como ficam? ”

Depende de como seria esse “não passar”. Creio que entre os três da Capital, hoje, vencer, podendo perder, ou perder podendo vencer, é questão de circunstância. A rivalidade anula a supremacia de elenco, e vimos isto no último clássico.

Desculpe-me, Ulisses, mas posso lhe devolver a pergunta?

“Se não passarem pelo Tombense, como ficam? ”

4. Galo Doido New York, membro da famosa Academia Dorense de Letras, radicado há mais de 20 anos nos Estados Unidos, apesar de suas múltiplas atividades, encontrou, lá de longe, um jeitinho de “secar” o Cruzeiro contra o Patrocinense. Ainda bem que nesta época o fuso horário cai de duas para uma hora a menos, em Nova York e Galo Doido não teve problemas para domingo de manhã acompanhar jogada por jogada. Concluiu que “Dos 4 gols, 3 foram falhas individuais…”

Como deve ter torcido pela nossa desclassificação!

Assim como tivemos um colírio para os olhos, vendo o edificante diálogo Hulk-Cuca, prometendo novos capítulos emocionantes.

A razão é fácil de encontrar: como cruzeirense, depois de vitória de nosso time, o que nos dá maior prazer no futebol é derrota do Atlético. E vice-versa. Isto é atávico.

Claro, há almas puras, de um lado e de outro, torcendo também para o adversário em nome de Minas Gerais, mas são a exceção da regra. No geral, prevalece o nosso DNA das cavernas.

Tentei mil vezes imiscuir-me no sublime bloco da exceção, mas soava como nota de 3.

5. Dcap, Erasmo Silva e JCSR aliviados com a exibição do Cruzeiro contra o Patrocinense. Todos com pés no chão, considerando a circunstancial fragilidade do adversário, mas vendo progressos sensíveis no entrosamento e no desempenho de alguns jogadores como Adriano, Pottker, Stênio. E uma unanimidade: Rômulo.

6. Xô, baixo astral! É impressão minha ou, de fato, os condôminos atleticanos estão mesmo de orelha murcha? Calma, amigos. Como disse outro dia, tirando o motorista e o trocador, tudo é passageiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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