JOGAMOS ESTA NOITE COM A CAMISA DO SANTOS?

  • por em 9 de setembro de 2020

A coluna “Perdão, atleticanos” teve uma repercussão que não imaginava. Com ela, procurei expressar o nosso sofrimento real quando tudo dá errado para o Cruzeiro e certo para o Atlético. Observei que quase não estamos suportando nesses 60 dias o que os atleticanos sofreram 60 anos, citando inclusive as tabelas das séries A e B como o retrato maior desta angustia. O Atlético no G-4 e nós praticamente na zona de rebaixamento. A gente não tinha ideia do que passaram os atleticanos vendo o maior rival brilhar tanto nestas últimas décadas, colecionando troféus, assombrando as Américas, incomodando costumeiramente o protegido eixo Rio-São Paulo, disputando por duas vezes uma final de campeão do mundo.

É inacreditável, mas os conselhos piedosos para nos ajudar a passar esta tormenta chegam-me de alguns “atleticanos irmãos”, aqueles amigos de fé, que não são muitos, mas nos quais você, numa batalha, pode confiar a própria vida. Abrindo o coração, confessam que suportaram todo o longo calvário passando a ter, antes do Atlético, um outro Clube.  O A.C. – Adversário do Cruzeiro. “Vestimos qualquer camisa de quem jogava contra vocês”. 

Com o Estudiantes e o Verón, nem precisaram explicar. Com o Bayern e o Borussia, com quem disputamos finais de Clube Campeão do Mundo, camisas alemãs e bandeiras desfilam até hoje nos estádios mineiros. Um deles contou-me que, com um grupo fiel de rancorosos, ficou acordado enquanto o Cruzeiro disputava a final contra o Bayern, na Alemanha, a uma temperatura de menos cinco graus. Perdemos por 1 x 0. Foguetório em BH, às duas da madruga. “Muitos daqueles foguetes, eu que soltei”, disse um deles. ”Era a nossa forma de ter alegria no futebol”.

Será? Tudo é estranho hoje para a China Azul. Nossos sentimentos ainda não bem estabilizados pelo tsunami que passamos, pela roupa suja ainda sendo lavada na rua, se misturam entre raiva, arrependimento, espanto, esperança.

O Atlético joga nesta noite contra o Santos.

BATE PAPO NO QUINTAL

Ney Franco passa a dirigir o Cruzeiro hoje. Não é unanimidade. Mas o que no Cruzeiro, hoje, é unanimidade? Estamos em processo de transformação. Com erros e acertos. Toleramos equívocos administrativos, mas não falta de caráter. Tudo é novo pra nós, inclusive esta incômoda posição na tabela da Série B.

Ney Franco é um profissional sério. Está aceitando um baita desafio e merece crédito de confiança da China Azul. Tem carretel respeitável: nas Seleções de base, foi campeão Mundial sub-20 e responsável por emplacar a geração com Neymar, Coutinho, Casemiro e cia limitada. No comando do Vitória fez a melhor campanha de um clube nordestino no Brasileiro de pontos corridos e ano passado no Goiás, quase levou um time desacreditado à Libertadores.

Estamos num Boeing que apresenta problemas em pleno vôo. Trocamos de piloto. Você torce pra dar certo ou errado?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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