PAIXÃO & LÓGICA

  • por em 27 de outubro de 2020

Bruno Haddad/Cruzeiro/Flickr

Nunca se dão as mãos.  Onde uma está, a outra passa longe. Os comentários que explodiram neste QUINTAL ontem em torno do jogo contra o Náutico comprovam que a paixão pode alimentar a alma, fortalecer o coração, mas embaça a visão. Fabio foi crucificado pelo gol que tomou, apesar das defesas salvadoras, “impossíveis”, tanto no jogo de domingo, como em anteriores.

Pelas circunstâncias, acho discutível a conclusão de que houve falha de nosso goleiro. Além de muito forte, a bola passou entre as pernas de um jogador e entrou roçando a trave direita. Muitos jogadores na frente de Fabio.

São Thomaz de Aquino proclamava que virtus in médio – a virtude está no meio. É a questão da balança de dois pratos ou da conta bancária, com débito e crédito. O que pesa mais: acertos ou erros?

Não é justo julgar alguém só por uns ou por outros. Na média, quem prevalece? Quando nos vestimos com a toga do julgador, a fim de condenar ou absolver estas ponderações são obrigatórias para falarmos coisas que mereçam ser ouvidas. Como alguém já lembrou aqui mesmo, falar todo mundo fala. Até papagaio. Mas um mínimo de coerência é necessário para não se cometerem injustiças gritantes. Fabio pode ter falhado em um ou dois gols, nos últimos 10 jogos. Mas em 90% de intervenções decisivas, salvou o Cruzeiro. Inclusive pegando pênalti que mudaria o resultado da partida.

Outra visão que a paixão embaça é sobre o rendimento do time. Ainda estamos muito longe do ideal, mas chegamos mais perto. O próprio Flavio, que nos brindou ontem com uma funda radiografia do Cruzeiro de hoje, apesar de apontar problemas gravíssimos, reconheceu “o time um pouco mais agrupado”. Rei Melo também viu melhorias significativas. É isto mesmo. Um sinal de princípio de ordem.

Hoje retomamos os treinamentos. Sexta-feira, às 21h30, encarando o Paraná, no Mineirão, primeiro jogo em casa, sob a nova era Felipão. Alguma coisa está me dizendo que faremos, finalmente, uma ótima partida. Na coluna de sábado terei o prazer de lembrar esta afirmação.  Um time que começa a ter cara de Cruzeiro.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Destaquei a primazia do Cruzeiro em ter jogos domingo, no horário nobre, mesmo na Série B e ocupando zona de rebaixamento. Fui criticado por muitos, entre eles Davi, José Antônio e André Luiz argumentando que não se trata de privilégio e sim falta de opções, sendo que outros Clubes da série B também têm jogos transmitidos aos domingos, pela Globo. Apurei o assunto e posso informar: É deferência, sim, exclusiva ao Cruzeiro. Nunca antes um time da Série B teve jogo às 16h de domingo. Desculpem-me, mas estes são fatos.

2. Descrevendo o nosso gol contra o Náutico, numa jogada de apenas quatro passes, iniciada com a rápida reposição de Fabio, cometi o pecado de omitir a participação do Machado.  Fui corrigido, neste QUINTAL e em quase todos os 30 grupos sociais de que tenho a honra de participar. Aqui. Geraldo e André Luiz não economizaram bordoadas.

A jogada foi especial, valendo até como eloquente argumento de que o time está mesmo melhorando. As reposições de nossa defesa raramente passavam da intermediária, num vai-e-vem que consumia boa parte dos 90 minutos de jogo e toda a nossa paciência. Desta vez, contra o Náutico, perdendo por 1 x 0, faltando poucos minutos para o apito final, Fabio, com as mãos, manda a bola para o Machado que, à la Gerson, como acentua Geraldo, estica para Patrick Brey, na esquerda. Ele cruza e Airton, de raspão, manda para as redes. Golaço.

Gerson, como sabemos, era conhecido como o Canhotinha de Ouro, pelos passes aprofundados, 30, 50 metros, sempre certeiros. Brilhou no Fluminense, Flamengo, Botafogo, São Paulo e Seleção de l970.

3. Finalmente, cancelada a eleição de conselheiros natos marcada para 5 de novembro. Um absurdo a menos na ficha da atual Mesa do Conselho Deliberativo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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