PEDIMOS TÃO POUCO, HOJE!

  • Avatar
  • por em 1 de abril de 2021

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Basta vermos um time de futebol, com a camisa do Cruzeiro, em campo!

Alguma coisa diferente de pelada de condomínio, em que os chutes são a esmo, os escanteios batidos como tiros de meta, se perdendo do outro lado; em que não se consegue trocar mais de dois passes em sequência nem executar com êxito um lançamento de 20 metros, hoje só pedimos a oportunidade de ver em campo 11 jogadores cônscios da responsabilidade de vestirem a Camisa do Cruzeiro, “apenas” tetracampeã brasileira e hexacampeã da Copa do Brasil. Jogadores que saibam, ainda que por referência de seus pais e avós: vestirão uma camisa que vestiu Tostão, Dirceu Lopes, Alex, Sorin, Piazza, Nonato, Procópio, Abelardo Flecha Azul, Niginho e dezenas de outros “imortais” que ajudaram a escrever as nossas páginas heroicas.

Em dois meses, começará o campeonato da Série B. Temos de ter um time pronto, que a gente saiba de cor.

Os flagelos que nos atingiram, simbolizados por dois Coronavirus sucessivos, explicam plenamente estes dois anos na Série B, mas jamais vão justificar um terceiro!

A reação tem de começar logo. A consciência plena de que enfrentaremos daqui pra frente uma decisiva maratona de 6 jogos em 18 dias, tem de dar sinais de vida na partida de hoje.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Gustavo Nolasco presenteia os leitores do SUPERESPORTES, às quartas-feiras, com a sua excelente coluna. Escreveu ontem, com o coração e a alma, uma obra prima. Sob o título – FALTA RENDER UM TRIBUTO À VOZ CENTENÁRIA DO CRUZEIRO – ele nos conduz a um passado, longínquo ou recente – mas que de forma nenhuma poderá ficar esquecido nos festejos de nosso Centenário. Plinio Barreto, Felício Brandi, Salomé (“assassinada por desgosto em 2019”), Roberto Batata, Niginho Fantoni, Zé Carlos, Pablito (“patrimônio da arquibancada”), são alguns dos sagrados luzeiros que em algum tempo da jornada iluminaram os nossos caminhos. Têm direito cativo e remido à nossa saudade.

2. Rei Melo, com razão, enfoca a nossa dificuldade em cravar esperanças, para a partida de hoje, em jogadores que continuam devendo. Ainda assim, acho que veremos alguma evolução. Vazaram notícias de treinamentos específicos, desses que a Nação Azul reclama a tanto tempo. Se tudo der certo, espero ler aqui um comentário seu, aplaudindo o time.

3. Carlos Aguiar, na mesma linha, acrescenta: “De nada adianta apontar a sujeira na roupa dos vizinhos, se é a nossa vidraça que está completamente suja…”  Acontece que a histórica rivalidade entre os dois Clubes, funcionando como mola propulsora para o crescimento de ambos, praticamente torna impossível falar sobre um sem ter como referência a posição do outro. Durante meio século, tínhamos cruzeirenses e anti cruzeirenses, sendo que estes festejavam o Borússia, o Bayern, o Estudiantes, times que conseguiram tirar título do Cruzeiro. Mas você tem razão, Carlos. A prioridade deve ser os nossos problemas. Veja que na coluna de hoje abordamos o tema. Ajude-nos a apontar soluções.

4. Ricardo Valle Boechat Braga não percebeu que seu anjo da guarda foi consultar a tabela de vacinação, e cometeu essa barbaridade:

“Qual hegemonia azul?? Em MG são nossos eternos fregueses…”

Desculpe-me, mas quando acontecer incidentes, lapsos de memória desse nível, não comprometa os sobrenomes admiráveis que você carrega. Assine apenas Ricardo.

Você coloca em dúvida a hegemonia do Clube mais vitorioso do Brasil, fora do eixo Rio São Paulo? Pra castigo seu, vou repetir: 2 Libertadores, 2 Supercopas, 4 Brasileiros, 6 Copas do Brasil.

Isto, Ricardo, se chama hegemonia.

Rebatendo (?) um histórico desta grandeza, os atleticanos fizeram o que? Criaram um fantasioso “Torneio do Gelo”, deram-se o título de campeão, sem revelar até hoje quem foi vice, e colocaram no seu hino!

5. Gustavo Bianchetti castiga o blogueiro por ter cutucado caixa de marimbondo, com vara curta. Em verdade, as revelações surpreendentes da diretoria do Clube tiraram os atleticanos da zona de conforto. Sonhavam com tabelinhas de Nacho e Vargas, regadas a salários de milhão mensal, quando despencaram na real: dívida é superior a um bi. Falcatruas de empresários por todos os lados.

Benvindos ao clube.

6. Beth Makennel Makennel faz oportuna radiografia dos atleticanos: “são muito mais anti-Cruzeiro do que torcedores do clube de Vespasiano. Sequer estão sabendo aproveitar o momento de crise financeira do Cruzeiro. ” Também acho e por mais de uma vez me permiti aconselhar o núcleo atleticano deste QUINTAL: ataquem, enquanto podem, este presente pavoroso que estamos vivendo. Mas não mexam no passado. Lá vocês não têm qualquer chance, porque contra fatos não há argumentos.

7. Sem Paciência, assim como Gustavo Bianchetti, sentiu o golpe. Não é agradável sair da zona de conforto. Há dois anos os atleticanos zombam de nossa casa caída e agora descobrem rachaduras graves no seu próprio edifício.

A sabedoria secular já advertia: se o seu telhado é de vidro, não jogue pedras no telhado do vizinho.

A roda gira.

8. João De Deus Filho, comprovadamente uma ilha de racionalidade atleticana, cometendo infração filosófica:

“De patrimônio, só tenho uma casa que vale uns 350 mil. Mas, e o Menin ???”

João, meu amigo, o que você relacionou só vale para o Imposto de Renda. Pode triplicar, num golpe de sorte; ou virar pó, num golpe de azar. O patrimônio metafísico, não, é imutável. Caráter, generosidade, dignidade. Nessa contabilidade, tenho certeza, você paga muito imposto todo ano.

Não devemos ser pesados pelo que temos, mas pelo que somos. Esta é a essência do Regimento Interno que aprendi na vida e procuro implantar neste QUINTAL.

Muito bonito, dirá você, mas isto não paga dívidas. Mas ajuda outros a nos ajudarem. É o que espero venha a ocorrer com o Cruzeiro, já que fomos dizimados criminosamente, diferente de qualquer outro Clube do Brasil. Sim, desfalques, houve em vários. Más administrações, em muitos também. Mas NENHUM teve os cofres arrombados e contratos-bombas firmados, na véspera da pandemia mundial.

João, quanto à situação do Atlético que realmente como você frisou é diferente da nossa, me perdoe mas vou cometer uma pergunta indelicada:

Você, do alto de sua comprovada sabedoria de vida, acredita em almoço de graça?

9. Galo Doido New York, também incomodado em sua zona de conforto com as revelações da diretoria do Atlético, mostra diferenças básicas do passivo dos dois Clubes. São fatos e, contra eles, não há argumentos. O Atlético aumentou a sua dívida com investimentos no time, enquanto o Cruzeiro sofreu um assalto geral, ficando assim sem moeda de troca. Por este enfoque, sem dúvida a situação do Cruzeiro é mais difícil. Há que se considerar, porém: dívida superior a um bi, é perigosa em qualquer circunstância; equipe valiosa aumenta, sim, o patrimônio, mas exige manutenção cara. Quando se estabelece no time, apesar das circunstâncias difíceis que todo o mundo atravessa, incrível salário mínimo de um milhão de reais, ou próximo disso, arma-se uma situação de risco, sem qualquer dúvida. O resultado pode ser tanto uma equipe galáctica quanto um barril de pólvora. Ou os dois, ao mesmo tempo.

10. “Bi-Campeão dos Campeões” conversou com um misterioso informante “que viveu aquela época” e conclui que “essa história de 1966 precisa ser desmascarada”. O Santos de Pelé, abatido por 6 x 2 pelo Cruzeiro, no Mineirão, e 2×3 em São Paulo, era um time decadente, quase uma caixa de pancadas…

Meu caro Bi-Campeão: Primeiro explique onde você achou este Bi, tão desejado e nunca encontrado há décadas e décadas…

Depois, converse de novo com seu informante, pra saber, por exemplo, a versão dele sobre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mal. Quem sabe a gente não desmascara também essa história?

11. Almoço de Páscoa. No fundo deste QUINTAL uma mesa comprida está sendo montada pra receber nossos 56 condôminos no almoço de domingo de Páscoa. Cadeiras marcadas, intercaladas para evitarmos grupinhos, por exemplo, Joao De Deus Filho ao lado de Rei Melo; Beth Mekennel ao lado de peppeu; Sem Paciência ao lado de Antônio Tonidandel e assim por diante. Única exceção, por vir de longe, Galo Doido New York, a seu pedido, ficará ao lado de Mãe Dinah; No centro, como mediador se necessário, Mecão das Gerais. O ingresso é qualquer ato positivo, honesto, em favor do seu próximo. Valem doações ou até um atencioso bom dia ao varredor de rua.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments