PRAGA DE URUBU MAGRO

  • por em 28 de dezembro de 2020

Vinnicius Silva/Cruzeiro/Flickr

Quantas vezes, na fase mais grave do tsunami que varreu o Cruzeiro, sonhei que Deus, condoído com a extensão da calamidade, me concedia a graça de voltar no tempo e escolher 2011 para sermos rebaixados à Série B. Os 6 x 1 seriam invertidos. Até hoje haveria passeatas na Savassi, fogos de madrugada. Nas ruas, camisas alvinegras com o placar histórico estampado no peito, igualzinho como fazemos com o manto celeste.

Claro que topava, na hora! Isto evitaria o que estamos passando hoje e que nenhum Clube grande no mundo enfrentou: um pacote de maldades difícil de se repetir, começando por ser dilapidado durante dois anos por seus próprios dirigentes até que em dezembro de 2019 foram retirados do comando pela força imbatível da torcida. Concretizou-se, então, a sucessão extraordinária, interina, prevista no Estatuto. Dominados os incêndios mais avassaladores. Estabelecido o planejamento de emergência, inclusive uma fórmula sui generis de atuação na Série B, com estudos avançados no nosso Marketing, tudo isto tendo por pano de fundo emocionante a presença quente da torcida.

A gente respirava entusiasmo e confiança. Só não imaginava que outro tsunami, desta vez mundial, iria tornar impossível o que já era difícil.

O Cruzeiro, de tantas conquistas e inovações, é então atingido por esta sequência de azares: assaltado pelos próprios dirigentes, cai para a B e em pleno Centenário, lutando para subir, não pode contar com o apoio de sua vibrante torcida em razão do confinamento mundial. Sem qualquer dúvida, a quase totalidade dos 27 pontos que jogamos no lixo, bisonhamente, no Mineirão seria arrancada no grito pela torcida.

Corona-Wagner, Família União, Série B, Pandemia… que praga terrível!

Tinha de ser no nosso Centenário?

BATE PAPO NO QUINTAL

A exumação de um assunto malcheiroso para os atleticanos (que não têm culpa nenhuma) está reavivando polêmicas e desinformação, neste QUINTAL. Os três clubes de Belo Horizonte receberam em doação terrenos para a construção de seus estádios: Atlético, em Lourdes, América em Santa Efigênia e Cruzeiro no Barro Preto. Vê-se que o único agraciado com área na parte nobre da cidade foi o Atlético. O América vendeu seu campo para o Grupo Pão de Açúcar, que lá construiu o Supermercado Extra. O Atlético conseguiu que o seu terreno fosse desapropriado pelo Estado, com generosa avaliação. Um negócio de pai pra filho. No local, graças a convênio com o Estado, a Prefeitura instalou vários órgãos sociais que funcionavam normalmente, dentre eles postos de saúde, playgrounds, etc. Cumpria-se, assim, o objetivo da desapropriação. Tempos depois, no governo Hélio Garcia, com o Atlético voltando a passar sérias dificuldades financeiras acertou-se uma “solução” imoral: embora completamente incabível, seria ajuizada “Ação de Retrocessão contra o Estado” que não iria se defender como deveria e poderia. A área voltaria ao Atlético que poderia então vender de novo, ou permutar, etc, o que fez. O comentarista Davi (autêntico, sempre alia um termo chulo ao seu nome) insiste numa versão light tão verdadeira como uma nota de três.

Houve, sim, favorecimento ilegal, imoral, ao Atlético, com dinheiro público. Ele acabou recebendo duas “doações” de valiosa área em Lourdes, enquanto América e Cruzeiro receberam apenas uma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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