SÃO FÁBIO

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  • por em 3 de abril de 2021

Vinnicius Silva/Cruzeiro/Flickr

Mais uma vez, obrigado.

Fico imaginando o que passa na sua cabeça, assistindo ao jogo naquela posição.

Quantas e quantas vezes a visão do horror atual de nosso time recebe um flash de sua memória. A bola, maltratada, está no meio do campo e acaba de ser entregue a adversário, por causa de uma tentativa de lançamento malsucedida, como as 10 anteriores. Você, na nossa área pequena, solitário, assistindo um “Não Vale a Pena Ver de Novo”.  Aí é que devem se atropelar, como relâmpagos, aqueles piques de memória, reconstituindo jogadas com Montillo, Arrascaeta, Everton Ribeiro… A gente era feliz e sabia.

Mas você não pode se distrair um segundo, seria fatal. Sacode ligeiramente a cabeça, mudando de marcha, passando para o modo-agora e vê o adversário tabelando dentro de nossa área como se passeasse na Afonso Pena. De acordo com as alternâncias da bola e a posição do corpo do adversário, você procura se posicionar melhor na linha de sete metros e 30 centímetros, tentando imaginar de onde vai partir um balaço. Outra vez, a memória atrevida manda flashes…e você “enxerga” a nossa defesa de 5, 10 anos atrás, que tanto facilitava sua vida.

De repente, de onde menos você esperava, vem um bólide fumegante. Você está a três passos do ponto em que deveria estar. Não vai dar tempo de cortar a bola. Ainda assim, num átimo, busca forças não sabe de onde (em verdade, você sabe!). E, praticamente voa, esticado como um albatroz que vai pegar um peixe a 400 metros de distância.

Voltam a respirar 9 milhões de corações azuis.

Nem tem tempo de curtir. Na reposição de bola, nossos atacantes como sempre fazem falta no marcador. Matam a jogada e armam novo ataque inimigo. Outra defesa. Mais uma reposição. Desta vez, bola dominada por nós no meio de campo, vamos nos arriscar a média e curta distância. Aí, de longe, você vê a repetição do que sempre acontece em todos os jogos: há alternância nos arremates. Uns, matando nosso ataque, são meras bolas recuadas para o goleiro. Outros quase saem pra fora do estádio. No jogo contra o Tombense houve uma gloriosa exceção e a bola bateu na trave. Terá sido por isto que o nosso técnico disse ter visto progresso? A quase unanimidade acha muito pouco para um time chamado Cruzeiro fazer em campo durante 90 minutos.

Essa triste rotina que você vem acompanhando, e certamente sofrendo muito, há dois anos, teria um capítulo ainda mais doloroso no jogo de quinta-feira. Após 10 dias de treinamentos, “conseguimos” colocar em campo, contra o Tombense, um time que pareceu jogar junto pela primeira vez. Os mesmos e incríveis erros de passes, lançamentos, desarmes, lançamentos. A primeira oportunidade real de gol surgiu só aos 38 minutos. Quatro minutos depois, Cáceres salvou o gol do Tombense. Éramos mais do mesmo, de novo. Um horror como equipe de futebol tanto assim que para o segundo tempo meio time foi alterado. Melhoramos, porque piorar era impossível. Mas aí vem a pergunta que não quer calar: o que treinamos? O que aprendemos em 10 dias de “preparação” pra não mostrar absolutamente nada de realmente positivo em campo? Pra colocar um time no primeiro tempo e outro no segundo?

Era este panorama desanimador que Fabio assistia, com exceção de três arremates de Airton, quando, aos 26 minutos da etapa final, o desatento Alan Ruschel coloca mão na bola, sendo marcado pênalti com a expulsão do lateral, que já havia tomado desnecessário cartão amarelo. Jogando até então pra não ganhar, e com um a menos, o pênalti seria mais uma pancada em quem já respirava por aparelhos.

A Nação Azul preparava mais um velório.

Paulinho Dias ajeitou a bola na marca. Deus três passes para trás. Correu. Chutou no canto.

E Fábio praticou a sua trigésima segunda defesa de pênalti.

No finalzinho, o atacante Alípio, após enrolar Ramon e Manoel, já na pequena área se preparou para o gol da vitória.

São Fábio estava lá.

BATE PAPO NO QUINTAL

1.  Felipe Conceição – Uma das suas qualidades reconhecidas era ver sempre o mesmo jogo que a gente via. Teve recaída, quinta-feira, contra a Tombense. Viu uma luz no fim do túnel, sem perceber que era o trem se aproximando.

2. Cleiton Novais, assim como outros condôminos deste QUINTAL, diplomou-se no Instituto Rio Branco. Dá estocada de esgrima no blogueiro: porque não reconhecemos o bi do Atlético na Conmebol?

Meu caro Cleiton, reconhecemos, sim. Desculpe-me, mas observe que nem os atleticanos dão muita importância. Sabe aquelas medalhas do antigo “Torneio Início” que abria os campeonatos estaduais? Qualquer semelhança não é mera coincidência. Aguardamos sua defesa.

3. Flavio pega pesado. Não está aguentando ver jogos do Cruzeiro. Como gosta de bom futebol, prefere acompanhar a Premier League e a Champions League. Procuro fazer isto, também Flavio, para desanuviar os olhos. E sempre reparo alguns detalhes bem significativos: nelas raramente você vê aqueles chutes bobos a gol sem qualquer proveito prático; os lançamentos são calibrados, tirando do marcador e ao alcance do companheiro servido; desarmes visam tomar a bola, sem faltas. Passes são como delivery: entrega na porta, jamais um tiro de meta na canela do companheiro.

Será que um dia vamos voltar a ver isto com a camisa mais bonita do Brasil?

4. Rei Melo, este não é o Bate Papo que esperávamos pra hoje, pós jogo contra o Tombense. 10 dias de treinamento me deram esperança de que o time seria melhor formado. Mas tudo foi igual ao que estamos vendo e não estamos gostando. Horrível. A única novidade é desanimadora: Felipe Conceição passou a “ver” o jogo imaginário que ele gostaria que fosse real.

5. Cacá, jovem, precipitar-se na cobrança pelas redes sociais de valores, é censurável, embora compreensível. Diretoria abdicar dos contatos pessoais, preservados, e preferir lavar roupa suja na rua, é lamentável.

6. Mecão das Gerais surpreendido em meditação, renovando forças espirituais e físicas, para mediar o almoço de Páscoa, amanhã, neste QUINTAL. Feliz com os resultados de quinta-feira, acha que o caldo tomado no sul esfriará um pouco o ânimo de Galo Doido New York e peppeu (os dois que, ao ver de Mecão, vão exigir mais atenção). Confidenciou ontem à noite, a este blogueiro, que quando começa a desesperar-se com a difícil tarefa, lembra que, em caso de incêndio, terá bombeiro de plantão, que também atende por João De Deus Filho.

7. lúcio soares, como gostaria de discordar e dizer que você está equivocado em seu doloroso vaticínio:

“Se no ano passado tínhamos um time medíocre, neste ano é medíocre em dobro! ”

Como negar?

As únicas esperanças possíveis:  Marco Antônio e os dois reforços que podem re-estrear: Rômulo e Lucas Ventura (ex-Nonoca).  

8. Jamicel faz oportuna, inegável, indubitável sugestão: Nas comemorações do Centenário do Cruzeiro, Alberto Rodrigues tem de ser destaque. O Vibrante é unanimidade absoluta para 9 milhões de corações azuis. Um ícone.

9. Ulisses, bravo, ataca o blogueiro:

“Como sempre falando a mesma asneira: é campeão disso, é daquilo, é a única coisa que vcs sempre falam, nunca mudam o disco. (…) ACORDEM, QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU”.

Calma, Ulisses, quem vive de passado realmente é Museu. Mas também campeões, que conquistaram títulos, medalhas, troféus.

Quando o presente é preocupante, como é o caso do Cruzeiro, o passado de glórias ajuda muito. A sabedoria popular já assinalava: relembrar o passado é viver duas vezes.

Desculpe-me, mas se o Atlético tivesse passado como o nosso, não sofreria tanto nos últimos 50 anos.

10. Sem Paciência trabalhando pesado na Semana Santa: protegeu com vidro blindado o telhado atleticano, para que possam continuar jogando pedras no nosso, sem temer revide. Ao mesmo tempo, abriu complexos e místicos trabalhos com meta ambiciosa: transformar o bairro Califórnia, em Terra Prometida. Lá se ergue a Meca Atleticana onde o torcedor, pelo menos uma vez na vida, deverá comparecer em peregrinação, caindo de joelhos…

Vamos tumultuar este projeto, por meios pacíficos e legais? Peço auxílio aos universitários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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